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A Psicologia Comunitária é uma disciplina recente. Sua origem remonta, por um lado à psiquiatria social e preventiva, à dinâmica e psicoterapia de grupos, práticas "psi" que conceituavam uma origem social a seus objetos de estudo. Embora as primeiras conceituações e práticas comunitárias em Psicologia tenham sido norte-americanas ou européias, é na América Latina que a disciplina ganha contornos característicos. A psicologia comunitária é uma nova forma de pensar e praticar a psicologia, distinta da tradição dominante.

Segundo Lane (1994), duas tendências sempre delinearam o entendimento do ser humano na psicologia: o determinismo biológico (o indivíduo era causa e efeito de si mesmo) e o determinismo social (o indivíduo era produto do meio). Superando esses determinismos, a psicologia social, de base sócio-histórica, afirma que a construção do psiquismo se dá na intersecção da história pessoal com a história da sociedade.

Na noção de psicologia comunitária, segundo Andery (2001), a palavra comunidade vem sendo usada para designar a instrumentalização de conhecimentos e técnicas psicológicas que possam contribuir para uma melhoria na qualidade de vida das pessoas e grupos distribuídos nas inúmeras aglomerações humanas que compõem a grande cidade.  É um movimento de aproximação do cotidiano das pessoas principalmente nos bairros e instituições populares onde a grande parcela da população vive, organiza-se e cria seus canais de expressão.  

Psicologia Comunitária

De acordo com Freitas (1999), a psicologia social comunitária utiliza-se do enquadre teórico da psicologia social, privilegiando o trabalho com grupos, colaborando para a formação da consciência crítica e para a construção de uma identidade social e individual orientadas por preceitos eticamente humanos. Freitas indica que os instrumentos utilizados para intervenção, e também construídos no desenvolvimento do trabalho, podem ser: entrevistas (muitas vezes coletivas), conversas informais (em locais variados, por exemplo num bar, em caminhadas), visitas às casas da população ou a alguma festividade, diários de campo (registros de acontecimentos importantes, idéias que possam contribuir para ações), resgate histórico e cultural da comunidade (por meio de representantes da igreja, pessoas significativas, lideranças).

A psicologia comunitária operando com o enquadre teórico da psicologia social crítica propor-se a compreender a constituição da subjetividade dos seres humanos numa comunidade, seja geográfica como, por exemplo um bairro, ou psicossocial como, por exemplo, os participantes de um centro comunitário. Ao compreender e para fazê-lo, funda-se no respeito ao saber e às práticas desses sujeitos e atua predominantemente com grupos. (Neves e Bernardes, 1999)

Referências:

NEVES, S. M. e Bernardes, N. M. G. Psicologia Social e Comunidade. IN: Strey, Marlene N. (org). Psicologia Social Contemporânea: livro-texto. Petrópolis: Vozes, 1999. 

FREITAS, M. F. Q. 1999. Psicologia na comunidade, psicologia da comunidade e psicologia (social) comunitária - prática da psicologia em comunidades nas décadas de 60 a 90, no Brasil. In: CAMPOS, R. H. F. (Org). Psicologia social comunitária: da solidariedade à autonomia. Petrópolis: Vozes, pp.73.

LANE, S. T. M. 1994. A psicologia social e uma nova concepção do homem para a psicologia. In: SÍLVIA T. M. LANE; WANDERLEY CODO (Orgs.). Psicologia social: o homem em movimento.São Paulo: Brasiliense.