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Resumo: O presente estudo pretende discorrer a respeito do ciúme e suas influências na relação de casais heterossexuais em uma perspectiva analítica, na tentativa de compreender um dos sentimentos mais universais na vida do indivíduo. Mesmo que para alguns o ciúme possa representar um sentimento negativo, ele pode ser uma manifestação do amor, sendo essencial no relacionamento de casal. É necessário conhecer esse sentimento e os processos da psique que estão envolvidos nele, para que se compreendam seus efeitos e causas.

Palavras-chave: ciúme; psicologia analítica; relação de casal.

Introdução

O presente estudo tem como tema o ciúme e suas influências na relação de casais heterossexuais em uma perspectiva analítica. Assim, abordar o tema do ciúme se refere aos conflitos que tal sentimento pode gerar na relação a dois. Por que os casais se desentendem por causa do ciúme? Por que o ciúme influencia tanto na relação do casal? Como a psicologia poderia investigar as consequências do ciúme no relacionamento entre casais? Portanto, analisar as possíveis influências que o ciúme causa na relação de casais heterossexuais, utilizando os conceitos da psicologia analítica para compreender as situações psíquicas envolvidas no relacionamento de casal, a partir da psicologia analítica, requer uma compreensão do quanto o ciúme é importante e como, ao mesmo tempo, ele pode gerar conflitos. Além disso, alguns objetivos do presente estudo seriam: identificar as concepções da psicologia analítica que dizem respeito às questões femininas e masculinas do sujeito e analisar os relacionamentos entre casais heterossexuais na contemporaneidade e o efeito do ciúme, relacionando-os com os conceitos junguianos.

Culturalmente, a relação de casal pode ser considerada em “termos de bem-estar como em termos de salvação” (GUGGENBUHL-CRAIG, 1977, P. 36) Portanto, considerá-la como bem-estar pode expressar que essa relação levará o sujeito a um nível alto de satisfação e felicidade plena; já em termos de salvação pode significar que tal relação pode conduzir o sujeito a uma possível individuação, desenvolvimento emocional e autoconhecimento. Assim, a relação de casal serve como suporte para o crescimento pessoal do sujeito.

O homem é um ser social, por isso, sua vida se configura através de seus relacionamentos, que podem ser familiares, profissionais e conjugais. É por meio das relações que o homem constrói suas expectativas e exigências em relação ao outro. A relação acaba sendo a união de dois indivíduos que trazem psiquicamente uma “herança”, com trajetórias diferentes. A temática da relação de casal compreende os possíveis comportamentos que são manifestados em uma relação a dois, como essa relação é constituída, quais são suas influências a nível individual e o amadurecimento relacional, entre outros.

Relacionar o tema da relação de casal com a psicologia analítica significa analisar as manifestações da psique do sujeito a partir da relação a dois. Dessa forma, o relacionamento de casal pode ser favorável ao surgimento e a possível percepção da manifestação dos complexos, já que tal circunstância provoca intimidade psíquica e física entre o casal (BENEDITO, 1996)

Estudar as influências que comportamentos individuais causam na relação de casal é essencial para que os sujeitos possam perceber que, além das manifestações conscientes, os fenômenos inconscientes, em muitas situações, acabam comandando a relação de casal.  Assim, a psicologia junguiana pode complementar estudos sobre a influência dos conteúdos inconscientes na relação de casal. Jung foi um dos primeiros estudiosos a observar que na natureza psicológica do ser humano há dois opostos, a anima e o animus. Esse par de opostos aparece nos mitos e eles acabam sendo os “parceiros invisíveis” dos relacionamentos (SANFORD, 1987)

Nesse contexto, estudar os temas da relação de casal na perspectiva da psicologia analítica interessa àqueles que desejam conhecer as dimensões do masculino e do feminino e como estas podem influenciar o relacionamento de casal.

1.0 Principais Conceitos da Psicologia Analítica

Carl Gustav Jung (1875 - 1961) desde a sua infância já possuía pensamentos que futuramente inquietariam o campo da psicologia. Sua história de vida exemplifica, claramente, como essas questões se constituíram no contato com a natureza durante sua infância, no convívio com a rigorosa prática religiosa do pai (pastor protestante), levando-o a especular a relação entre a religião e a psique, assim como o incentivo de sua mãe para ler Goethe, tais vivências o conduziram a ler sobre filosofia e teologia. Além disso, sua escolha profissional pela medicina não se deu de forma fácil e, consequentemente, com o percurso médico, Jung enfrentou diversas críticas ao seu método de tratamento e ao apresentar sua concepção acerca da psique humana (JUNG, 2006).

A estrutura da psique para Jung é composta pelo inconsciente coletivo, instância mais profunda do inconsciente, é o substrato comum a todos os homens; o arquétipo, que é a instância do inconsciente coletivo. Além disso, há o inconsciente pessoal, camada mais superficial do inconsciente, no qual estão contidos os conteúdos pessoais do indivíduo, assim como a consciência, que é transitória, é responsável pelas funções de adaptação e orientação, o ego (centro da consciência), self, centro ordenador da psique do sujeito, e o símbolo, que é a função compensatória em relação ao ego (JUNG; BONAVENTURE, 1999)

Nesse contexto, Jung (1999) já considerava suas teorias acerca da psique como provisórias e, portanto, dialéticas. Elas estavam disponíveis para serem revisadas e reinterpretadas. Isso também se reflete no estilo dele escrever. Jung tinha compromisso com a análise, não se preocupava com a clareza e a “verdade” demonstrada nos textos escritos por aqueles que seguiam de forma dogmática a ciência, como Freud. Pode-se dizer que ele escrevia com o “coração”, com a emoção, afinal, era dessa forma que ele experimentava o mundo.

Partindo da idéia de que para Jung todas as psicologias se expressam segundo a subjetividade de seus autores, pode-se inferir que ele está tratando da crítica da noção de verdade, partindo do ponto de vista de Nietzsche. O homem cria a verdade para poder mentir, o que evidencia o fato de que o que menos importa é a verdade, por isso, o sentimento de ser verdadeiro se torna essencial para, de alguma maneira, “inventarmos” o inconsciente e “mascarar” o que consideramos errado (NAGY, 2003).

Segundo Jung (1990), o inconsciente é composto por algumas “pré-disposições” funcionais do psiquismo, ele independe da vivência do homem. Assim, o inconsciente estabeleceria uma função compensatória com a consciência. O inconsciente coletivo, também denominado de inconsciente objetivo, é comum a todos os seres humanos e mesmo a todos os animais. Por isso, ele estrutura a base do psiquismo individual do homem, sendo o nível mais profundo da psique, possuindo conteúdos herdados pela humanidade.

O conceito de inconsciente coletivo proposto por Jung, diz respeito a um conjunto de elementos vivos de rapidez e reação, que define a vida privada através de manifestações “não palpáveis” e, portanto, invisíveis (JACOBI, 1995). Já o inconsciente pessoal “está sobre” o inconsciente coletivo, diz respeito, exclusivamente, ao indivíduo, por isso, ele constitui as experiências individuais vividas, que não estão na esfera da consciência. Segundo Jung (1987), o inconsciente pessoal,

[...] Contém material reconhecível, de origem definidamente pessoal; são aquisições do indivíduo ou produtos de processos instintivos que completam, inteiram a personalidade. Há ainda os conteúdos esquecidos ou reprimidos, mais os dados criativos. (P. 33)

Ao citar o inconsciente coletivo, não é possível deixar de evidenciar o arquétipo, que é uma energia, que faz parte do inconsciente coletivo, é a instância mais comum do homem, é o que nos une, enquanto seres humanos, no nível mais básico. Contudo, viveremos este arquétipo de forma distinta. Sendo assim, não há condições de definir o arquétipo em si, é algo que não se conhece em si mesmo, mas de alguma forma sabe-se que ele existe e que dá origem aos símbolos. Segundo Jacobi (1995), o arquétipo é:

[...] um recipiente que jamais se deixa esvaziar e encher. Existe em si apenas potencialmente e, ao revestir de alguma matéria, mas já não é mais o que era antes. Persiste através dos milênios e exige sempre uma interpretação nova (JACOBI, 1995, P. 55).

Os arquétipos não são idéias herdadas. Segundo Jacobi (1995), “[...] O arquétipo é, em si mesmo, inobservável, mas gera efeitos que tornam possíveis as observações: as imagens arquetípicas.” (P. 40). Dessa forma, o arquétipo é bipolar e em si mesmo é semelhante à verdade, já que não podemos deixar de comentar sobre a influência que Nietzsche gerou nas concepções junguianas. Portanto, como a verdade, sabe-se que somente os efeitos do arquétipo são acessíveis, é a condição do “como se”. Então, pode-se perceber a influência exercida por Kant, através do conceito de ‘categorias’, que são conceitos gerais formais ou estruturais, os quais simplesmente subsistem na mente. Tais categorias são “regras” que ditam a forma de experimentar e perceber o mundo.

Para Jung as categorias abstratas aconteciam através do que poderia ser comum, compartilhado — concepção kantiana — além de abranger um conjunto de tendências mentais, designada por Jung de arquétipo — estrutura hereditária, universal, que ordena imagens. Os arquétipos foram denominados a partir da representação de Santo Agostinho — ‘typos’, impressão — para Jung são “imagens primitivas” incluídas no inconsciente coletivo, e pode ser relacionado à ‘idéia’ no sentido platônico (JACOBI, 1995).

Portanto, o arquétipo não poderia se deslocar, e sim a imagem arquetípica é que estaria em movimento e, consequentemente, teria o caráter subjetivo. Estas imagens arquetípicas seriam os símbolos, que sem pretender encerrar o que seria esse arquétipo propriamente dito, o representa. Jacobi (1995) afirma que quando o arquétipo é notado pela consciência, manifestando-se no presente do tempo e espaço, já podemos falar da representação dos símbolos.

O símbolo é uma função compensatória em relação ao ego e tem como característica a bipolaridade, tanto pode ser algo positivo quanto negativo. É através do símbolo que o arquétipo “entra” no individual, no subjetivo (JACOBI, 1995). O símbolo é uma forma de integrar o inconsciente com o consciente, de traduzir algo que a nossa psique não tem condições de manifestar de forma consciente. O sonho pode ser um exemplo disso, já que o símbolo conduz intuições de fenômenos ainda irreconhecíveis a nível consciente do sujeito.

O conjunto destes símbolos daria origem aos chamados complexos, que de acordo com Jacobi (1995) seria o “[...] fenômeno dos agrupamentos de idéias de acento emocional no inconsciente [...]” (P. 16). Isso remete a idéia de complexo como uma tentativa de descrever experiências afins que tomaram força e que só podem ser entendidas através deste processo.

Os complexos são unidades vivas da psique inconsciente, que gozam de autonomia. Eles se formam no inconsciente involuntariamente e a partir das variadas experiências da vida. Diferente de Freud, Jung compreende o complexo como uma parte sadia da psique. Jung defendia a idéia de que alguns complexos foram “esquecidos” pela consciência por meio da repressão, mas que outros nunca passaram pela consciência, evoluindo no inconsciente e provocando na consciência comportamentos impulsivos (lapsos, gafes, entre outros) e irreconhecíveis para o sujeito. Dessa forma, percebe-se a força da atração que o complexo possui, funcionando como um ímã, exercendo atração do nível inconsciente para o consciente (JUNG, 2002).

Segundo Stein (2006),

O ponto é que o complexo é uma imagem, e como tal, pertence essencialmente ao mundo subjetivo; é feito de pura psique, por assim dizer, embora represente também uma pessoa, experiência ou situação real. [...] O complexo é um objeto interior e em seu núcleo está uma imagem. (P. 51)

Na teoria analítica, Jung relata que estruturalmente os complexos são baseados por “imagens associadas e memórias congeladas de momentos traumáticos que estão enterradas no inconsciente e não são facilmente acessíveis para recuperação pelo ego” (STEIN, 2006, P. 55).

Como o complexo se forma a partir de uma reunião de energias que se atraem formando uma constelação, quando ele não é trazido à consciência provoca a desestruturação do ego, passando este a ser possuído pelo complexo. No entanto, o complexo não tem um caráter negativo, ele é bipolar. Para Jung (1990), ao contrário de Freud, o inconsciente não era um depositário de coisas negativas, mas, sim, algo que contém as possibilidades e o complexo não seria diferente disso, ele tanto pode ser bom ou mau, o que vai definir isto é a forma como nos relacionamos com ele.

Assim, para Jung, o complexo significa:

Que existe algo incompatível, conflitante ou talvez algum impedimento, mas também um estímulo para esforços maiores e, dessa forma, talvez até uma nova oportunidade para o sucesso (JACOBI, 1995, P. 29).

A “invasão” de um complexo significa que ele ficou mais energizado do que o ego, já que este não teve a capacidade de moderar o influxo de energia. Além disso, pode-se inferir que com a teoria acerca dos complexos, Jung exibiu a existência de um nível cultural da inconsciência, em parte pessoal e em outra coletiva, pois, através do método de associação verbal, Jung encontrou indícios de modelos semelhantes na “composição” dos complexos entre os indivíduos pertencentes da mesma família. Assim, percebeu-se a existência dos complexos coletivos, movendo-se em torno de assuntos como religião, poder, gênero, entre outros, que podem afetar quase a maioria dos indivíduos, podendo provocar fortes emissões de energia (JACOBI, 1995).

O complexo se manifesta por um núcleo arquetípico determinado.  Assim, o núcleo do complexo materno seria o arquétipo materno e o núcleo do complexo paterno seria o arquétipo paterno. Segundo Jung (1976), o complexo está presente de forma diferente no sexo feminino e masculino, o complexo materno no homem pode não estar sozinho, ou seja, ele pode vir acompanhado do arquétipo da anima. Isto porque, para o homem a representação materna é o primeiro contato dele com o sexo oposto e, por isso, é a primeira projeção de sua anima. Entretanto, com a mulher, o complexo materno pode manifestar o instinto materno ou até “inibi-lo”.

O complexo paterno se manifesta a partir da constelação de afetividade que está relacionada à imagem do pai. A partir da teoria do desenvolvimento (BEE, 1997), a figura paterna tem o papel de auxiliar o filho a descobrir o mundo, pois é essencial o vínculo construído entre o filho e o mundo externo. O complexo paterno se expressa na relação do sujeito com todas as imagens masculinas, não somente com a relação concreta, mas também se refere aos valores, o poder, as normas e os interesses no campo intelectual (JUNG, 1962).

A psicologia analítica se refere aos complexos como positivos e negativos. Portanto, quando há a referência do complexo paterno positivo, este diz respeito à influência positiva sobre a identidade e a vida do sujeito, isto não quer dizer que a polaridade do complexo não possa ser alterada. A identidade do filho é identificada com a da figura masculina, havendo, então, uma falta de autonomia no que consiste a aprovação ou não das regras que conduzem o ego do sujeito. (JUNG, 1962)

Geralmente, os homens que manifestam o complexo paterno positivo aparentam segurança quanto a sua identidade, são pragmáticos, eficientes, hábeis, mas inflexíveis. Os homens que são marcados por tal complexo parecem “poder tudo”, quando eles são acometidos por uma crise de relacionamento que não pode ser resolvida racionalmente, não conseguem lidar com tal situação. (SANFORD, 1987)

As mulheres que são “marcadas” pelo complexo paterno positivo têm grande ligação afetiva com a figura paterna. Por vezes a mãe é colocada no papel de rival quanto à relação do pai com a filha. Quando tal complexo é vivido, a mulher não considera falar de si algo importante, sua identidade é oriunda do homem. Portanto, a figura masculina tem grande importância na existência da mulher. As representações do masculino na vida da mulher, normalmente são idealizadas e em contrapartida, há uma desvalorização de tudo aquilo que represente o lado feminino, até de si mesmo enquanto mulher. No relacionamento, a mulher passa a se relacionar como se fosse uma filha obediente, já que ela acaba realizando quase todos os desejos do seu parceiro, que é visto pela mulher como um indivíduo digno de confiança.

Já o complexo paterno negativo representa a figura masculina como dominante, o sujeito é envolvido por um sentimento de vergonha, inutilidade e culpa, já que ele fica submisso a regras que não consegue realizar, mesmo que se esforce para isso. O homem que manifesta o complexo paterno negativo precisa ser reconhecido, pois ele busca aprovação, principalmente, de outros homens. Com isso, são homens que expressam certa exigência consigo e com as demais pessoas. Por outro lado, as mulheres que são marcadas pelo complexo paterno negativo geralmente também vivem buscando o reconhecimento da figura paterna, não há lugar para possíveis escolhas pessoais. Comumente tais mulheres são inflexíveis, exigentes e críticas, pois possivelmente as afetividades básicas não foram preenchidas (SANFORD, 1987).

Diante disso, também há o complexo materno que diz respeito a constelação de afetividade que está relacionada à imagem da mãe. Tal complexo se faz presente na psique de todos os indivíduos, já que a “vivência” do materno é algo universal. O complexo materno não é oriundo apenas da relação com a figura materna, mas também se refere às experiências associadas a esta, até experiências maternas vividas através da representação paterna (JUNG, 1962).

Assim como há polaridade no complexo paterno, também há no complexo materno. Portanto, o complexo materno positivo tem relação com a proteção exagerada da figura materna, produzindo sentimento de acolhimento e uma relação de simbiose, que às vezes é conservada após a morte. A princípio, os indivíduos que expressam tal complexo são seguros e otimistas sobre a vida.

Com isso, a mulher que é marcada pelo complexo materno positivo, pode ter uma dependência exacerbada da figura da mãe, podendo acarretar em uma deficiência da sua identidade e desenvolvimento pessoal. Já com o homem, este complexo é caracterizado por uma busca inconsciente de uma figura feminina idealizada, que possa preencher suas necessidades, mas este homem sempre viverá frustrado, pois não consegue encontrar a figura feminina idealizada por ele (KAST, 1997).

Já o complexo materno negativo diz respeito aos obstáculos que estão associados à relação da criança com a figura materna. O complexo citado pode ser proveniente de mães que não desejaram ter filhos e não conseguem “aceitá-los”, quando a função materna sobrecarrega a mulher, quando as mães são bastante rigorosas e exigentes, ou quando há uma falta de vínculo entre mãe e filho, entre outros. Tal complexo se manifesta através de sentimentos de rejeição, solidão, desconfiança e medo. As mulheres que são “marcadas” pelo complexo materno negativo buscam ajudar e cuidar do outro. Além disso, elas também expressam uma autoexigência, podendo estar associada ao convívio social delas. Já os homens que manifestam o complexo materno negativo tendem a solidão, se isolando do convívio social. Quando estes homens conseguem se relacionar com uma figura feminina, eles poderão “reacender” as representações da mulher de sua psique. Dessa forma, se a relação entre o homem e o feminino for de confiança e cumplicidade, as representações podem ser de proteção. Contudo, se esta relação não ocorrer de tal forma, as figuras femininas podem representar aspecto ameaçador (KAST, 1997).

 Dentre o complexo materno e paterno citados, pode-se considerar a persona como um complexo que não está completamente sob o domínio do ego e a sombra como um complexo “funcional” da psique, que provocará resistência à persona. Essa dinâmica psíquica pode ser considerada como uma forma inconsciente das realizações intencionais executadas pelo ego e algum “incômodo” psicológico, que conseguirá ser solucionado se o conteúdo inconsciente foi integrado à consciência. Como a persona e a sombra são complexos que representam polaridade, caso estes sejam conservados sob tensão, uma solução se manifestará caso o ego possa se soltar de ambos os complexos e produzir um “vazio” interno, dando a possibilidade de o inconsciente proporcionar uma “solução” criativa, sob a forma de um símbolo novo, que pode abranger a persona e a sombra (KAST, 1997).

Já a consciência é um fenômeno transitório, que é responsável pelas funções de adaptação e orientação do tempo e do espaço, e ajuda o ego a se estruturar. Tudo que se dá na consciência também se dá no inconsciente e essas duas funções são formas de experimentar a realidade.

O homem, na sua ilusão egocêntrica de detentor do controle e da verdade, se equivoca ao acreditar que possui o complexo, quando o que ocorre é o inverso: o complexo é quem o possui.  Essa idéia errônea faz com que o todo não importe mais, o ego se torna o centro, o poderoso, gerando uma identificação com o complexo, o que faz com que este deixe de exercer sua função compensatória (JUNG, 1987).

O ego é “[....] aquele fator complexo com o qual todos os conteúdos conscientes se relacionam” (STEIN, 2006, P. 23). Portanto, tal fator acaba compondo o espaço central da consciência. Ao funcionar de acordo com a consciência, o ego tende a criar uma necessidade de conforto e segurança, demonstrando com isso a sua unilateralidade, precisando de uma “verdade”, de algo para se apoiar; para ele é uma coisa ou outra, não pode ser as duas ao mesmo tempo.

Segundo Whitmont (1994),

O ego envolve um sentido de continuidade de corpo e mente em relação a espaço, tempo e causalidade, e isso dá origem ao sentido de unidade do indivíduo e à sua tendência de reduzir a multiplicidade à unidade por meio da memória e da racionalidade. (P. 206)

O ego permite que se viva à realidade de maneira subjetiva, para ser ego precisa haver um “achatamento”, uma redução da realidade. Apesar do ego, de acordo com Whitmont (1994), ser “[...] uma unidade que resiste ao fluxo de mudança, em oposição ao inconsciente que está sempre se alterando”, ele lida com o que é imediato, se adaptando às circunstâncias.

Segundo Whitmont (1994), a persona é o primeiro padrão de formação do ego, é através dela que o indivíduo desempenha os papéis que vão lhe permitir se adaptar à realidade exterior. Jung (1987) afirma que a persona é:

[...] uma máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é uma individualidade, quando, na realidade, não passa de um papel, no qual fala a psique coletiva. (P. 32)

De acordo com a perspectiva analítica, a projeção é a forma pela qual os conteúdos inconscientes da psique se tornam acessíveis à consciência do ego. O mundo externo acaba fornecendo a “matéria-prima” que é usada pela projeção. Tal fenômeno pode ser percebido mais facilmente quando o que é projetado também se torna representativo para uma parte da psique do sujeito (JUNG, 1987).

Assim, quando a projeção se manifesta através da consciência, o sujeito não a percebe, pois a energia que emerge do inconsciente é geralmente colocada em algum outro indivíduo ou em algum objeto. O funcionamento da psique faz com que a energia psíquica seja colocada para o mundo externo de forma consciente, sem a presença do ego propriamente dito. Na medida em que as projeções do sujeito vão se identificando com o ego, tais fenômenos se tornam conscientes e assim não podem continuar sendo considerados como projeções.

Para Jung (1987), as relações estabelecidas entre os indivíduos acontecem através da projeção (identificação). Além disso, na projeção estariam todas as qualidades tanto negativas como positivas que são “avessas” ao ego. Portanto, há dois tipos de projeção: a positiva e a negativa.

Na projeção positiva percebe-se que a psique projeta suas partes como sombra, anima, animus no mundo externo. A projeção denominada do eu apresenta a sensação de afinidade com o exterior, são as características comuns. A projeção da sombra leva o sujeito a perceber várias diferenças que existem entre ele mesmo e o externo. Já a projeção da anima e do animus reconhece no mundo externo a sua “contraparte” sexual. A psicologia analítica traz a projeção positiva como uma busca pela complementação, pois é através dessa função que os indivíduos sentem admiração, respeito, amor, entre outros pelo outro (JUNG, 1987).

Por exemplo, quando uma mulher busca um homem, ela está procurando seu Animus (“seu homem interno”) e vice-versa. Com isso, quando uma mulher se apaixona pelo homem, ele poderá ter qualidades do seu animus e caso essas características sejam essenciais para a vida dela, ela poderá compreender que encontrou o parceiro ideal. Já a projeção negativa pode ser compreendida como uma “antipatia”, na qual o indivíduo projeta no outro somente a parte negativa do seu animus, da sua anima ou da sua sombra.

A anima traz as características do que é feminino, reparando “a unilateralidade da consciência formada a partir de um padrão ego-masculino” (BENEDITO, 1996, P. 18). Esse mesmo processo acontece em relação às mulheres que trazem o arquétipo do animus, havendo uma inclinação para as mulheres serem mais anima e os homens mais animus. É possível tentar definir alguns atributos do animus como um indivíduo racional, rígido, ativo, agressivo, e a anima sendo tolerante, passiva, flexiva, protetora, entre outros, mas vale ressaltar que essas características são possibilidades, não há nada de determinismo, já que o próprio Jung era contra ao método determinista-positivista. Além disso, a anima e o animus agem mutuamente em mulheres e homens, mas um aspecto vai prevalecer em relação ao outro. Essa polarização é fundamental para o processo de individuação do sujeito, pois compõe uma estrutura mais harmônica, o que tende a evitar os conflitos afetivos.

A sombra é algo essencial na formação da personalidade do sujeito, pois com ela atinge-se a totalidade. Segundo Carotenuto (1990):

É preciso ter a audácia de viver conscientemente também a própria sombra, sabendo que desse modo uma existência é mais completa e mais rica do que o seria se respeitasse as regras coletivas, que são estruturadas de modo tal que neutralizam a dimensão mais secreta, mais específica de um indivíduo (P. 157).

Para Sanford (1988), “o termo sombra se refere à parte da personalidade que foi reprimida por causa do ideal de ego. O ‘ideal de ego’ é formado pelos ideais e padrões que modelam o desenvolvimento do ego ou a personalidade consciente.” (P. 64) A sombra não tem o objetivo de destruir o ego, porque, caso isto aconteça, a sombra também morre. Sendo assim, ainda que o ego não queira, a sombra “aparece” de tempos em tempos na tentativa de fazer com que o ego experiencie o não vivido, já que a sombra pode ser considerada, segundo Sanford (1998) “[...] como uma vida não vivida” (P. 67). Existe, portanto, uma necessidade de nos confrontarmos com o nosso lado sombrio, pois caso isso não aconteça, continuaremos a projetá-los nos outros, “exprimindo assim condenações com base numa avaliação genérica, que não tem nada a ver com a experiência pessoal” (CAROTENUTO, 1990, P. 161).

2.0 Relação

Ao abordar o assunto “relação”, pode-se pensar em diversas relações: o ficar, namorar, casar, entre outros. Além disso, com a atual conjuntura da sociedade há diversos tipos de casais: jovens, de média idade, homossexuais, heterossexuais e idosos, entre outros. Na própria cultura, ao longo dos anos, há diversos tipos de relacionamentos, pois o que aconteceu foi um tipo de evolução relacional. Já que, a princípio o modelo de relação primordial era o patriarcal, no qual o homem era o grande protetor da família e a mulher era responsável pelos deveres domésticos. Assim, nos dias atuais, ainda se encontram casais que podem ser caracterizados pelo modelo patriarcal, mas há diversidade nas relações, já que há o relacionamento liberal, o divórcio,“o recasamento”, entre outros (MCGOLDRICK, 1995).

Dessa forma, existem diversas maneiras de conceituar uma relação, já que esta pode ser denominada pelas concepções religiosas, sociológicas, filosóficas, psicológicas e jurídicas, entre outros.  Portanto, o casamento é considerado um tipo de relação, que pode ser evidenciado, principalmente, por ser uma grande cerimônia realizada pela família do casal. O casamento seria uma transição do processo familiar, pois mudanças sistêmicas ocorrem com a alteração da posição dos integrantes da família e, consequentemente, a mudança organizacional familiar é instaurada (MCGOLDRICK, 1995).

Segundo Aurélio (2003), o casamento é um “ato solene de união entre duas pessoas de sexos diferentes, capazes e habilitadas, com legitimação religiosa e/ou civil”. Já o casamento religioso se caracteriza pela união matrimonial, de acordo com as normas, costumes e regras dependendo do tipo de religião (CAPPARELLI, 1999).

Juridicamente, o casamento é a relação entre dois indivíduos que tem como foco a assistência mútua “espiritual” e material, para que seja constituída uma família legítima. Dessa forma, o casamento é um contrato, que tem dois lados opostos, no qual o casal se integra, reconhecendo as relações sexuais e a responsabilidade de criar e educar os filhos, caso estes existam (FARIAS, 2007).

A família conjugal implica a comunhão de corpos e interesses, personalíssimos e pessoais, eventualmente patrimoniais, criando sociedade conjugal e vínculo jurídico matrimonial e, consequentemente, submetendo os cônjuges a um complexo de direitos e deveres legais e convencionais (SAAD, 2010, P. 3).

Dessa forma, partindo da concepção da psicologia analítica, mais especificamente na temática do arquétipo, Benedito (1996) abrange as funções psíquicas que são consideradas importantes nos encontros e desencontros amorosos, ocorridos entre homens e mulheres.

A dinâmica da escolha do parceiro pode ser compreendida através das imagens que já subsistem no indivíduo e que acabam criando fantasias que irão ser percebidas através das projeções que correspondem a uma forma perfeita e excepcional de realizar os seus desejos em relação ao sexo oposto. Assim, na concepção junguiana, a fantasia se refere “a uma forma de pensar não dirigida pela função superior da consciência e que tem, na origem de sua formação, elementos que constituem o arcabouço da psique” (BENEDITO, 1996, P. 16).

Além disso, há três tipos de fantasias que se manifestam de diferentes formas: as fantasias inconscientes, que se originam do inconsciente coletivo, reveladas através dos símbolos relacionados à mitologia; as fantasias inconscientes, derivadas do inconsciente pessoal, que são traduzidos pelos símbolos combinados aos complexos inconscientes; fantasias conscientes, fusão das experiências pessoais e coletivas, que são expressas pelos desejos, levando o indivíduo a buscar situações satisfatórias para ele.

Com isso, pode-se inferir que o primeiro encontro produz uma fantasia, gerando a idealização do outro. É comum que o indivíduo faça muitos planos nesse momento, tudo se encaixa “perfeitamente”, as diferenças não importam, pois o que se torna interessante é o anseio pelo outro. Benedito (1996) afirma que essa fase é essencial, pois além de proporcionar o encontro entre os indivíduos, ela abre oportunidade para o sujeito experimentar suas funções psicológicas mais profundas, que é facilitada pela permuta afetiva-emocional entre um casal.

Nesse contexto, a psicologia analítica traz, através das representações, a relação afetiva-emocional entre um casal. Na paixão, por exemplo, a figura de uma mulher pode ser capturada pela figura de um homem, ou seja, um indivíduo, em uma relação a dois, “aspira” o outro como uma parte — representação — da sua psique. Portanto, pode-se considerar tal representação como uma condição arquetípica. Essa relação é oriunda das concepções de Jung, o qual utiliza a concepção de anima, que seria uma contraposição feminina inconsciente do homem, e o animus, contraposição masculina inconsciente da mulher, para explicar uma situação arquetípica constituída, onde anima e animus se apaixonam (BENEDITO, 1996).

Através da literatura de Benedito (1996), também se percebe o destaque que Jung trouxe a respeito da projeção anima-animus, no quanto é difícil percebê-la e como a atuação dela pode ser responsável pelas complicações da vida, assim como também pode influenciar no casamento.

A escolha por um par envolve elementos motivacionais, relacionados às experiências íntimas, aos desejos. Contudo, quanto mais os desejos do indivíduo estiverem arraigados, mais facilmente ele será engolido em uma relação, e isso pode acontecer pois aquele que deseja vai escolher o parceiro tomando-o como uma porção de sua personalidade. Tal mecanismo pode ser considerado como uma projeção defensiva que ocorre através do animus e da anima. “O indivíduo que não consegue tomar para si aquilo que constitui parte de seu mundo interno fica perdido de si mesmo, buscando achar-se no outro” (BENEDITO, 1996, P. 21).

Portanto, o relacionamento de casal poderia ser considerado uma relação em que, o homem e a mulher envolvidos, compartilham juntos as dificuldades e o prazer da vida.

3.0 Ciúmes

O ciúme é um assunto que está presente em todos os tipos de relação, pode ser vivido por todos os indivíduos e em quase todas as culturas. Por isso, ele pode ser considerado um sentimento razoável e normal. Ainda que o ciúme seja um sentimento íntimo, compartilhado no relacionamento de casal, sua existência está presente no cotidiano, pois ele também está em livros, músicas, filmes, entre outros. O ciúme pode ser observado como um grupo de sentimentos, pensamentos e atitudes que são causados por uma ameaça ao relacionamento que pode ser oriundo da percepção da atração entre o parceiro e o que pode ser o rival (BOTURA, 1996).

O ciúme promove o medo da perda e geralmente, implica três indivíduos: o “pivô” do ciúme, o que sente ciúme e o indivíduo de quem se sente ciúme. Segundo Botura, (1996), o ciúme expõe um traço natural e institivo do indivíduo, ele pode vir acompanhado do medo, real ou não, de perder o parceiro. Além disso, o ciúme pode se referir a falta de crédito no parceiro ou até em si mesmo, quando este ciúme ocorre de forma exacerbada pode transforma-se em patológico e causar o adoecimento da relação entre o casal.

Segundo Ferreira (2003), o ciúme é um sentimento de possessividade em relação a um determinado indivíduo, ele pode ser produzido pelo desejo de manter o outro na relação ou por não ter a capacidade de “dividí-lo” afetivamente com outras pessoas, além de ser um sentimento que pode ser oriundo de uma desconfiança em torno da fidelidade do companheiro. O ciúme é um “[...] estado emocional caracterizado pela ansiedade, sentimento de amor e desejo de obter a segurança e a ternura que uma segunda pessoa demonstra a uma terceira” (DORIN, 1978, P. 53).

Assim, o ciúme é considerado um dos sentimentos mais potentes da vida humana, já que todas as pessoas em algum momento de suas vidas pode sentí-lo. Pode haver uma oscilação no que se refere ao tipo e grau de intensidade do ciúme (BUSS, 2000).

Estudiosos afirmam que os ciumentos tem sentimentos e pensamentos negativos em relação a possível perda do parceiro. Os sentimentos que podem estar associados ao ciúme e que podem potenciá-lo de certa forma são a insegurança, angústia, desconfiança, rejeição, medo, entre outros. Embora o ciúme seja um sentimento integrante da vida do homem, consequentemente, ele envolve todas as relações humanas. Há indivíduos que conseguem lidar de forma positiva com ciúme, alguns indivíduos não controlam tal sentimento (BUSS, 2000).

Dessa forma, muitos consideram o ciúmes como uma representação do amor, havendo portanto um aspecto positivo, mas por outro lado, o ciúmes pode alcançar formas doentis e provocar desgastes físicos e psíquicos no indivíduo que sente tal sentimento e consequentenente no relacionamento entre o casal (ALMEIDA, 2007). Assim, aquele que sente o ciúme ou seu parceiro são estimulados a elaborar tal sentimento a favor da sua relação amorosa em busca de menos desavenças e mais satisfação. Os ciumentos ficam em situação de ambivalência entre a desconfiança e o sentimento de amor. Com isso, as pessoas ciumentas acabam entrando em conflito com o receio de encontrar a infidelidade do companheiro e quando não comprovam nada, pode achar que está tendo um “delírio” de ciúme (HINTZ, 2003).

Na relação amorosa abalada pelo ciúme, muitos parceiros podem se anular a fim de exercer o papel que o ciumento quer que ele tome para si, tentando de certa forma se adequar as expectativas do parceiro. Assim, pode-se inferir que há uma falta de aceitação do outro e tal situação pode ser escondida pelo efeito benevolente do ciumento, já que todas as ações são justificadas, porque são realizadas pelo bem do companheiro. Diante disso, o ciúme pode ser visto como um sentimento egoísta, já que ele tenta “privar” a independência do parceiro, ou seja, nessa circunstância o ciúme mostra-se como uma preservação de si, para evitar possíveis preocupações que possam afetar o relacionamento e o investimento acumulado (ALMEIDA, 2007). O ciúme nesta situação pode caracterizar a relação como destrutiva, na qual as pessoas se beneficiam umas das outras, ou ainda, se servem do outro como uma forma de obter garantia de que não serão abandonadas, de que não serão desrespeitadas e menosprezadas (FERREIRA-SANTOS, 2003).

A idéia de que quem ama cuida aparece muitas vezes como uma forma de justificar o ciúme exagerado. Sendo assim, o ciúme na relação amorosa pode surgir quando um dos indivíduos sente que o companheiro não está ligado a ele como era de seu desejo (ROSSET, 2004). Isso se refere a projeção, que diz respeito aos atributos pessoais que o indivíduo atribui ao outro. Nos relacionamentos amorosos, o sujeito se apaixona por si, ou seja, ele cria uma imagem de si mesmo no outro, se o relacionamento for duradouro e quando se transforma em amor, o sujeito passa a “ver” o outro (BENEDITO, 1996).

O ciúme é considerado um sentimento de apreensão, na qual há a possibilidade do indivíduo ser menosprezado ou traído pelo companheiro. Dessa forma, o ciúme se refere à forma que o sujeito percebe a vinculação e o pertencimento em relação ao parceiro como algo que está ameaçado (FERREIRA-SANTOS, 2003).

Com isso, em algumas circunstâncias o ciumento pode ser notado como alguém que não consegue dar valor a si e que tem a autoestima baixa, por isso, a idéia de ser traído surge tão facilmente. Além disso, o ciúme pode surgir no relacionamento de casal após um dos lados descobrir uma traição e por isso, o indivíduo sempre vai presumir outros possíveis casos de infidelidade. O ciúme dessa forma acontece porque o sujeito crê que seu parceiro vai ser sempre um traidor em potencial, iniciando então uma fase de excessivas vigilâncias, desconfiança, controle e conflitos (ALMEIDA, 2007). As pessoas que sentem muito ciúme entram em um “jogo”, já que sempre tentam controlar o parceiro, tentando evitar a possibilidade de ser traído. Nessa perspectiva, a expectativa da traição chama tanta atenção do sujeito, que ele pode aproximar o parceiro de pessoas que poderiam passar despercebidas.

O ciúme pode ser considerado uma fantasia, já que a escolha do parceiro pode ser compreendida através das imagens já subsistentes no indivíduo e que acabam criando imagens que irão ser percebidas através das projeções, que correspondem a uma forma perfeita e excepcional de realizar os seus desejos em relação ao sexo oposto. Assim, na concepção junguiana, a fantasia se refere “a uma forma de pensar não dirigida pela função superior da consciência e que tem, na origem de sua formação, elementos que constituem o arcabouço da psique” (BENEDITO, 1996, P. 16). Além disso, há três tipos de fantasias que se manifestam de diferentes formas: as fantasias inconscientes, que se originam do inconsciente coletivo, reveladas através dos símbolos relacionados à mitologia; as fantasias inconscientes, derivadas do inconsciente pessoal, que são traduzidos pelos símbolos combinados aos complexos inconscientes; fantasias conscientes, fusão das experiências pessoais e coletivas, que são expressas pelos desejos, levando o indivíduo a buscar situações satisfatórias para ele.

Portanto, a escolha por um par envolve elementos motivacionais, relacionados às experiências íntimas, aos desejos. Contudo, quanto mais os desejos do indivíduo estiverem arraigados, mais facilmente ele será engolido em uma relação, e isso pode acontecer, pois aquele que deseja vai escolher o parceiro tomando-o como uma porção de sua personalidade. Tal mecanismo pode ser considerado como uma projeção defensiva que ocorre através do animus e da anima. “O indivíduo que não consegue tomar para si aquilo que constitui parte de seu mundo interno fica perdido de si mesmo, buscando achar-se no outro” (BENEDITO, 1996, P. 21).

4.0 Método

4.1 Delineamento do Estudo

A pesquisa dispôs de um estudo exploratório descritivo, utilizando entrevistas que auxiliaram na coleta de informações relevantes para o desenvolvimento da pesquisa. Neste tipo de estudo não há como ter o total controle do ambiente, então, deve-se levar em consideração toda e qualquer tipo de variável que de alguma forma venha interferir, ou que até mesmo interfira nos resultados a serem obtidos.

As entrevistas foram úteis no estudo, pois permitiram um contato do entrevistador com os casais, essa relação que foi estabelecida entre ambas as partes proporcionou uma familiarização do tema e dos objetivos. A pesquisa tem caráter qualitativo, no qual os dados obtidos foram descritos e analisados posteriormente.

4.2 Participantes

 

As entrevistas foram realizadas com dois casais heterossexuais:

- O casal 1: B. (homem, 29 anos) e D. (mulher, 22 anos) são namorados e estão juntos há 6 meses.

- O casal 2: J. (homem, 21 anos) e R. (mulher, 21 anos) são namorados e estão juntos há 1 ano e 4 meses.

Houve um critério em relação a escolha dos participantes do presente estudo. Assim, foram escolhidos casais jovens, que estivessem juntos há pouco tempo, pois seria interessante analisar esse momento da descoberta de afinidades, da existência de projeções fortes, no contato com a anima e o animus, para que outros fatores como tempo, filhos, entre outros, não interferissem no resultado da pesquisa.

As entrevistas dos dois casais foram realizadas na casa de um dos parceiros, para que houvesse maior interação entre entrevistados e entrevistador. Os casais residem na cidade de Salvador/Bahia e a entrevista foi realizada no mês de setembro do ano de 2010.

4.3 Instrumento

Foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas com dois casais heterossexuais que permitiram que os entrevistados se sentissem mais a vontade. Este tipo de coleta de dados permite que o roteiro de perguntas seja modificado com o decorrer da entrevista.

As entrevistas semi-estruturadas são caracterizadas pela existência de um roteiro previamente preparado que serve de guia para orientar o desenvolvimento da entrevista. Além disso, o recurso das entrevistas semi-estruturadas garante que os entrevistados respondam as mesmas questões, não exige uma ordem rígida nas questões, por isso, o desenvolvimento da entrevista vai se adaptando ao entrevistado. Portanto, na entrevista semi-estruturada se mantém um elevado grau de flexibilidade para explorar as questões (CARMO, 1998).

A utilização das entrevistas semi-estruturadas requer pontos positivos e negativos como recurso para realizar uma pesquisa. Os pontos positivos se referem a otimização do tempo, permite introduzir novos assuntos as perguntas, permite selecionar temas para aprofundamento, entre outros. Um ponto negativo poderia ser a preparação por parte do entrevistador, que tem que elaborar as questões previamente (CARMO, 1998).

4.4 Considerações Éticas

Os participantes do estudo assinaram um termo de consentimento, autorizando que o conteúdo das entrevistas fosse utilizado no presente trabalho. Além disso, a identidade dos participantes não poderiam ser divulgadas.

4.5 Procedimento

Os procedimentos metodológicos utilizados no presente estudo ocorreram através da seleção de materiais tais como livros, artigos, revistas científicas e reportagens, que abordam o tema proposto ou que envolvam os conceitos da Psicologia Analítica, relacionando-os com entrevistas realizadas com casais heterossexuais. Além disso, a partir das entrevistas realizadas com dois casais e as leituras selecionadas, priorizando artigos e publicações de 10 ou 5 anos, foram realizados alguns fichamentos e resumos como estratégia para que os principais conteúdos acerca do assunto pudessem ser evidenciados e utilizados no desenvolvimento teórico.

Por ser um estudo exploratório descritivo, as entrevistas semi-estruturadas foram utilizadas como recurso para verificação e aprofundamento de informações teóricas. No planejamento da entrevista, foram selecionados os participantes, especificando as variáveis que se pretendia estudar e como as respostas seriam registradas, entre outros. Além disso, o entrevistador utilizou uma linguagem acessível e clara com os entrevistados. A partir do resultado das entrevistas, foram criadas categorias a fim de selecionar as informações obtidas. (CARMO, 1998)

Para a análise dos dados foi utilizada a análise do conteúdo, que segundo Bardin (1977) se refere a:

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. (P. 42)

A técnica de análise de conteúdo pode ser aplicada a diversos contextos e áreas. Neste estudo, a análise de conteúdo é utilizada para buscar melhor compreensão dos discursos, extraindo os aspectos mais relevantes. A técnica utilizada para a análise de conteúdo foi a análise categorial, que trata da divisão do conteúdo em categorias, no qual a delimitação e o critério de escolha são feitos a partir dos temas que fazem parte dos objetivos da pesquisa e que são identificados no discurso dos participantes. (BARDIN, 1977)

5.0 Análise dos Dados

A partir das entrevistas com os dois casais e da análise de conteúdo acerca da temática da pesquisa, foi possível realizar uma triagem das principais categorias de análise e selecionar trechos elucidativos das entrevistas, cujo conteúdo se refere aos objetivos do estudo. Em seguida, os conteúdos encontrados foram selecionados e agrupados para que as categorias fossem construídas da seguinte forma: 1ª categoria – Existência e conceito de ciúmes, 2ª categoria – Reação frente ao ciúme e 3ª categoria – Importância do ciúme na relação. Os casais entrevistados foram denominados casal 1 e casal 2.

Existência e conceito de ciúmes

O ciúme pode demonstrar o medo de perder o companheiro, pode se referir a falta de confiança no parceiro, entre outros. Como já foi relatado anteriormente, há a possibilidade de haver uma oscilação no tipo e grau do ciúme, portanto, alguns indivíduos podem sentir mais ciúmes do que outros (BUSS, 2000).

O ciúme é estruturante para a psique, pode ser considerada como a função estruturante do amor. Assim, o ciúme exerce a função de “guardião ético do amor”. Muitos indivíduos justificam a existência do ciúme como uma forma de cuidar e demonstrar o amor pelo parceiro. Além disso, o ciúme também é considerado um sentimento de apreensão, na qual é possível ser menosprezado ou traído pelo companheiro. Dessa forma, o ciúme se refere à forma que o sujeito percebe a vinculação e o pertencimento em relação ao parceiro como algo que está ameaçado (FERREIRA-SANTOS, 2003).

O ciúme também pode emergir de diferentes formas por conta do complexo. Portanto, se o complexo se refere a um grupo de símbolos, que se constitui a partir das experiências de vida, ele interfere de forma significativa nas relações vividas pelo indivíduo. Ao se apresentar por um núcleo arquetípico determinado, o complexo paterno positivo, conjunto de afetividade ligado a figura paterna, é manifestado pelo homem através de crises de relacionamento, que estão ligadas ao âmbito emocional. Assim, pode-se inferir que os homens marcados por tal complexo podem se relacionar com o ciúme de forma intensa e quando acometidos por tal sentimento podem agir de forma irracional, já que não conseguem lidar com as crises emocionais do relacionamento. Já os indivíduos que manifestam o complexo paterno negativo, geralmente apresentam inflexibilidade, além de serem críticas e exigentes. Portanto, em função das características citadas, tais indivíduos podem não confiar no parceiro e exigirem dele esclarecimento sobre as suas escolhas e seus relacionamentos com outras pessoas.

O complexo materno como conjunto de afetividade relacionado à figura da mãe, também é marcado pela bipolaridade do complexo paterno. Dessa forma, as mulheres que são marcadas pelo complexo materno negativo buscam cuidar do parceiro, assim, a existência do ciúme poderia ser justificada pelo “cuidado” com o outro. Se a relação amorosa entre homem e mulher não for de cumplicidade e confiança, a figura feminina pode representar ameaça para o homem marcado pelo complexo materno negativo, colocando em evidência o sentimento de desconfiança, assim, o ciúme estará presente de forma exacerbada na relação.

Assim, as entrevistas confirmaram os dados obtidos na teoria, pois ambos os casais acreditam haver ciúmes na relação. No casal 1, B. acha que o sente de forma razoável, D. disse que sente ciúme, mas não sabe em que grau o sente. Quanto à percepção do parceiro, B. acredita que sua namorada sente pouco ciúme e eventualmente, assim como D. respondeu a mesma coisa. Já no casal 2, R. acha que se houvesse uma escala “de 1 a 10, diria que sinto 6” e J. afirma que o sente de forma médio-moderada, ambos acham que o parceiro sente ciúmes, mas que não é nada exagerado.

O ciúme parece estar relacionado com o complexo que o indivíduo tem, porém, ele pode variar de tipo e grau a depender da relação que o indivíduo constituiu com suas figuras primárias maternas e paternas. Portanto, com as informações obtidas ficou evidente que o ciúme está presente no relacionamento dos casais entrevistados, mas que ele acontece de forma controlada, sem excesso.

Reação frente ao ciúme

Pesquisadores da temática do ciúmes relatam que os ciumentos tem sentimentos e pensamentos negativos em relação a possível perda do companheiro, gerando um sentimento de insegurança. As pessoas lidam com o ciúme de forma diferente, alguns demonstram e outros conseguem controlar tal sentimento (BUSS, 2000).

Assim, alguns indivíduos consideram a demonstração do ciúme como uma representação do amor que se sente pelo parceiro. Entretanto, o ciúmes pode deixar de ser apenas uma forma de demonstrar que gosta do parceiro e desgastar a relação. Os ciumentos ficam em situação de ambivalência entre a desconfiança e o sentimento de amor (ALMEIDA, 2007). 

Quando o casal foi questionado sobre como eles lidam com o ciúme, B. disse que entende “que o ciúme faz parte da relação, mas o mesmo não pode ser exagerado, sob pena de prejudicar o relacionamento dos dois, em último caso pela falta de confiança”. Já sua parceira D. admite ser ciumenta , mas acha que lida bem com tal sentimento, pois diz não demonstrar para o parceiro: “[...] penso muito se de fato há motivo para demonstrar o ciúme e se o motivo dele não vai representar algo de negativo na relação.” Quando o casal 1 é questionado sobre a importância do ciúme, B. e D. acham que este é essencial no relacionamento, B. acha que deve existir “desde que de forma razoável e saudável”, já D. acredita que o ciúme “pode ser uma espécie de combustível pra manter o desejo entre o casal, mas deve ser controlado”.

R. do casal 2 afirma que lida com o ciúme através do diálogo: “costumo conversar para resolver qualquer tipo de desconforto e insegurança”, seu parceiro J. disse que lida com ciúme “com outro ponto de discussão em relacionamento, enfrentando-o com sinceridade e cumplicidade, pois tende a fortalecer o relacionamento”.Quando são questionados se o ciúme é essencial no relacionamento, R. afirma que acha “bom o ciúme em um certo limite. Nada que venha a desestabilizar o relacionamento”, seu parceiro J. afirma que “não diria essencial, mas sim necessário”.

O casal 1 prefere que o ciúme seja demonstrado na relação, pois também é uma forma de conhecer o parceiro. Além disso, quando foram perguntados sobre o que o ciúme representa na relação, B. disse que “representa uma forma de demonstrar que a outra pessoa se importa com o parceiro”, D. afirma que “representa o desejo de se manter junto, mostrar que se importa com o namorado”.  R. do casal 2 acredita que o ciúme é saudável na relação deles e que este “representa um leve medo de perder alguém que a gente ama, mas acredito que isso seja algo natural”, preferindo que o parceiro demonstre sentir ciúmes. Já J. diz que o ciúme “representa algo a ser preservado, entretanto, conforme já exarado, enfrentado para amortizar as suas consequências que poderiam trazer ao casal. Em sede de metáfora, analisemos o ciúme como um vinho. Se em poucas doses é essencial e faz bem a saúde. Entretanto, com exagero pode causar sérios estragos!”. Além disso, J. acha necessário que sua parceira demonstre o ciúme, “mas não em forma pejorativa, no intuito de provocar um entrevero na relação, mas sim um ponto a ser discutido e que precisa ser resolvido, no momento em que este é colocado à tona, pois demonstra alguma insatisfação/incômodo para o parceiro(a) e que ao final poderá ser incômodo para todo o casal”.

A importância do ciúme

Os fatores culturais têm influência na forma como os indivíduos manifestam o ciúme. Alguns biólogos afirmam que o ciúme é um sentimento inato, isso pode ser justificado pelo fato dele estar presente nas mais diversas culturas. Historicamente, sabe-se que algumas culturas tentaram evitar o sentimento do ciúme, mas jamais conseguiram. No século XIX, comunidades americanas que viviam sob a poligamia não conseguiam esconder a existência do ciúme.  Às vezes o ciúme pode funcionar como um detector de ameaça na relação. O ciúme envolve processos mentais que não podem ser desenvolvidos por animais, portanto, é um sentimento exclusivo do homem (BOTURA, 1996).

Nos relacionamentos onde o ciúme é apresentado de forma eventual e moderada, tal sentimento pode estimular os casais a assegurar que seu parceiro se sinta valorizado e amado. Além disso, o ciúme também pode potencializar outras emoções, podendo fazer com que o parceiro sinta o amor de forma mais intensa.

Em relação as entrevistas realizadas com o casal 1 e casal 2, percebe-se que ambos consideram o ciúme um sentimento importante para a relação, a fim de demonstrar desejo e amor pelo parceiro, desde que ele seja manifestado de forma moderada.

Como forma de demonstrar amor pelo parceiro, o ciúme pode ser relacionado com a anima e o animus, principalmente, no que se refere aos casais que estão juntos há pouco tempo, pois as relações de casal são estabelecidas através das projeções. A escolha pelo parceiro acontece através de imagens do indivíduo já existentes que criam fantasias, podendo ser compreendidas pelas projeções. No momento inicial da relação a dois, o indivíduo “captura” seu parceiro como uma representação da sua psique, considerando esta como uma condição do arquétipo. Isto se dá através da anima, que seria uma contraposição feminina inconsciente do homem, e o animus, contraposição masculina inconsciente da mulher, para explicar uma situação arquetípica constituída, onde anima e animus se encontram (BENEDITO, 1996).

Dessa forma, percebe-se que no momento da paixão, os sentimentos parecem se apresentar de forma mais intensa. Quando a projeção se manifesta de maneira defensiva, o parceiro não consegue identificar seus processos internos, buscando se encontrar no outro. Pode-se inferir que tal circunstância pode acarretar na importância do ciúme, já que ele se torna essencial na “manutenção” do relacionamento.

Portanto, o ciúme pode fazer com que o parceiro se sinta valorizado, procure melhorar, demonstrar o quanto ele é importante no relacionamento, sendo também um indício da existência do amor, da paixão ou de sentimento de posse.

6.0 Considerações Finais

O principal objetivo deste estudo exploratório descritivo era identificar as concepções junguianas que se referem às questões femininas e masculinas do sujeito relacionados ao ciúme. Através das entrevistas, pode-se identificar que o ciúme é um sentimento essencial na relação de casal. Assim, como com a maioria dos conceitos da psicologia analítica, pode-se perceber que o ciúme não tem apenas o lado negativo, mas ele apresenta bipolaridade nos seus efeitos. Isto foi percebido através do relato dos entrevistados, justificando a importância do ciúme na relação e como a demonstração dele pode ser essencial para manifestar carinho pelo parceiro.

Além disso, o ciúme é um processo dinâmico, pois o motivo e a intensidade da existência dele podem mudar de acordo com a circunstância. Os casais se desentendem por conta deste sentimento em função dos processos inconscientes que estão envolvidos em todas as relações humanas. Sendo assim, para atingir um dos objetivos deste estudo, foram identificados alguns conceitos da psicologia analítica, como por exemplo: anima, animus e complexos, para explicar como tais concepções influenciam o sujeito e seu relacionamento amoroso.

Por ser um conjunto de pensamentos, atitudes e sentimentos oriundos de uma ameaça no relacionamento, o ciúme não reflete apenas o sentindo ameaçador. Já que a partir das entrevistas e das relações construídas através do referencial teórico, o ciúme atingiu outra conotação no relacionamento. Ele é essencial no relacionamento, desde que seja sentido e demonstrado de forma controlada, sem atingir um alto grau de exagero.

O presente estudo exploratório descritivo pode ser considerado como um início para possíveis pesquisas posteriores, pois além de ser um tema recente de discussão, não há referencial teórico que aborde o ciúme na perspectiva analítica, havendo dificuldades para construir este estudo.

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Anexo:

Entrevista

  1. Na relação de vocês há ciúmes?
  2. Em que grau você sente o ciúme?
  3. Você acha seu parceiro ciumento?
  4. Como você lida com o ciúme?
  5. Você acha que o ciúme é essencial em um relacionamento?
  6. O que o ciúme representa na sua relação?
  7. Você prefere que o seu parceiro (a) demonstre sentir ciúmes de você ou prefere que ele retraia tal sentimento?