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Resumo: A teoria dos sonhos proposta por Sigmund Freud em 1900 atrai cada vez mais interesse sobre o “conhecer” desse mundo tão misterioso, rico e cheio de emoções, que dá margem a muitas especulações, criticas e novas teorias. O que antes, era interpretado como meros símbolos ou premonições, agora são vistos como características de nosso inconsciente.

Objetiva-se destacar a importância dos sonhos na vida de qualquer indivíduo, assim como a influência que exerce sobre os mesmos, sua análise em terapia e como isso auxilia o terapeuta durante o tratamento. Através de pesquisa quantitativa bibliográfica, os dados que povoam este trabalho foram discutidos, analisados e comparados a alguns autores, tendo como base a teoria psicanalítica.

É fundamental para o psicólogo entender tal formação dos sonhos e como serão elaborados seus mecanismos de defesa, bem como os princípios de sua devida interpretação.
Palavras-chave: Sonhos, Freud, Psicanálise, Inconsciente, Terapia.

Introdução

Para alguns, os sonhos são uma ferramenta muito utilizada para se prever acontecimentos ou até mesmo acreditam ser vozes de entidades divinas, devido a isso, acaba-se despertando grande interesse nos indivíduos que cada vez mais estão ligados a assuntos místicos, por trazerem uma carga de mistério, e por estarem mais voltadas ao narcisismo, ao seu ego, procurando dessa forma um autoconhecimento ou buscando uma falsa segurança, através de hipóteses e métodos falhos, embora na realidade o significado dos sonhos não seja bem essa.

Os sonhos possuem grande importância nas terapias psicanalíticas por proporcionarem ao terapeuta um conhecimento mais profundo do que se passa no íntimo de seus pacientes, pois são carregados de informação sobre a vida destes e concomitantemente oferecem ao analisando um conhecimento maior de si mesmo.

É importante ressaltar o quanto é desafiador o estudo e análise dos sonhos, pois eles trazem ao indivíduo forte influência em sua psique, podendo em alguns casos, alterar significativamente seu comportamento.

Através de uma pesquisa bibliográfica este trabalho objetiva-se a analisar os conteúdos dos sonhos, por que ocorrem e as influências que exercem na psique dos indivíduos e sua importância, possibilitando assim, em caráter sucinto, aos estudantes e interessados uma idéia geral sobre a interpretação dos sonhos segundo a teoria freudiana.

Conceitos Básicos da Teoria Psicanalítica

Antigamente os povos primitivos acreditavam que os sonhos teriam um conteúdo adivinhatório, que os sonhos traziam mensagens e revelações de deuses

e demônios e sendo assim, fariam vir à luz fatos que pudessem ocorrer no futuro. Era simplesmente uma forma de se obter uma interpretação e significação do que se sonhava, dando a eles um caráter de adivinhação. Não a respeito de quem sonhava, mas com conteúdo geral, entretanto, estando contido neles uma carga de acontecimentos relacionados com as instâncias divinas ou demoníacas, que tinham como objetivo desorientar a pessoa que sonhava.

Antes de Freud se dedicar a interpretação dos sonhos, estes eram vistos como indecifrável devido seu caráter divino ou demoníaco que lhe atribuíam. É através dos sonhos que podemos nos encontrar com nosso eu verdadeiro, pois são através das imagens de nossa vida onírica que entramos em contato com aquilo que realmente somos ou queremos, mas que por diversos motivos acabamos escondendo de nós mesmos. Para Freud não existe nos sonhos algo que lhe dê simbolismo dedutivo e que possa assim prever o futuro e também não há nos sonhos os sentimentos morais, por isso da importância de se interpretar os sonhos na terapia, pois eles são carregados de emoções e sentimentos de nosso verdadeiro eu.

Antes de mergulharmos no universo de nossa vida onírica é necessário entender os conceitos primordiais que nos levam a entender a significação de nossos sonhos.

Alguns conceitos muito utilizados em psicanálise e que neste presente trabalho serão muito visto são a idéia de id, ego e superego e o mecanismo de recalque e sublimação que são muito empregados nos sonhos, como forma de esconder algo ou dar uma forma mais amena ao que realmente se quer dizer.

Segundo a teoria freudiana o id, ego e superego são estruturas da personalidade, onde se tem que o id é o responsável pelos nossos instintos e impulsos mais primitivos “temos, pois, que o id é o verdadeiro inconsciente ou a parte mais profunda da psique” (CABRAL. A. NICK. E, .2006, p. 157). Enquanto que o ego é o mediador entre o id e o superego, ele é o responsável pela relação da pessoa com seu meio circundante.

É através do ego que aprendemos tudo sobre a realidade externa e orientamos o comportamento no sentido de evitar os estados dolorosos, as ansiedades e punições. (CABRAL. A. NICK. E, 2006, p. 94)

Enquanto que o superego é o autor de grande parte dos fatos reprimidos, pois é ele que no direciona para determinadas atitudes que condizem com leis morais, com o que deve ou não ser feito, nos segura para não agirmos de maneira instintiva e nos priva muitas vezes de fatos que julga não ser ideal.

O superego é o representante de uma natureza superior no eu (Freud), atuando no sentido de evitar punições por transgressões morais ou de fomentar a realização de ideais moralmente aceitos. (CABRAL. A. NICK. E. 2006, p. 321)

Já os conceitos de recalque e sublimação pode-se fazer uma analogia a um traficante que tenta passar a barreira do país, na primeira tentativa, ele tenta passar pelos policias sem disfarce algum, mas é impelido a continuar pelos guardas quando estes verificam sua documentação. Os guardas neste exemplo fizeram o papel do recalque.

Operação pelo qual o sujeito procura impelir ou manter no inconsciente representações (pensamentos, imagens, recordações) ligadas a uma pulsão. (Laplanche e Pontalis, 2001, p.430)

Neste exemplo, o desejo de se passar pela barreira foi recalcado tendo que voltar a sua origem, em nosso inconsciente ocorre exatamente assim, quando algo que desejamos não é realizado por ação muitas vezes de nosso superego, este desejo volta para o inconsciente ficando “guardado” lá, até que algo o impulsione a sair novamente.

Já a sublimação tem papel importante neste caso, pois se o traficante tentasse passar a barreira de maneira disfarçada e com documentação falsa, ele conseguiria de forma muito tranqüila e sem ser pego. É assim também que ocorrem com nosso inconsciente, muitos fatos que a primeira vista são proibidos, ele automaticamente “disfarça” para que ao tomar consciência não nos afetem diretamente. “Freud descreveu como atividades de sublimação principalmente a atividade artística e a investigação intelectual” (Laplanche e Pontalis p.495). Sendo assim, nossos desejos são realizados não de forma nua, mas configuram-se de maneira delicada aos nossos olhos.

Os Sonhos

Sem dúvidas podemos dizer que o marco da grande história de Sigmund Freud foi “A Interpretação dos Sonhos”, obra na qual antes não tinha grande importância para a ciência, e que logo após tal publicação ganhou de fato seu devido valor. Através destes estudos, foi possível trazer ao consciente os conteúdos inconscientes, na qual tal processo, o fenômeno sonhar, traz o inconsciente de uma forma tão reveladora e acessível para estudo. “Temos que concordar com Freud de que, os sonhos é o caminho para uma estrada que leva aos recessos inconscientes e obscuros da mente”. O sonho é um fenômeno regressivo; no qual nos devolve aos estados primitivos da infância.

O sonho, no entanto é decorrência de fatores diários psíquicos e do sono; portanto julgamos necessário expor o processo do sono, para depois centrarmos nossa atenção nos sonhos, que como expôs Freud, são os guardiões do sono.

Os Processos do Sono

O primeiro aspecto que a psicologia descobriu em relação ao sono é que existem dois tipo de sono: NREM ( No Rapid Eye Movements) e REM (Rapid Eye Movements). A diferença encontra-se na observação de tal ato. Durante o sono

REM observa-se uma variação no Sistema Nervoso Autônomo, a respiração e o ritmo cardíaco ficam irregulares e mais rápidos, a pressão arterial fica mais elevada e há um aumento na produção de hormônios supra-renais. Dentro do sono REM, nos meninos e nas meninas ocorre a ereção. Tais pesquisas são medidas através de um estudo feito em laboratório chamado eletroencefalograma, na qual mede as ondas cerebrais.

No sono REM há quatro estágios, onde cada um é caracterizado por um padrão de ondas cerebrais. O primeiro é chamado de sono leve, com duração de alguns minutos e é o inicio do sono, o indivíduo nesse estágio pode, dependendo do individuo, pode dar início aos sonhos; já o segundo estágio denominado de sono intermediário, onde há um relaxamento maior, podem ocorrer experiências sensoriais, alucinações, exemplo disso é quando temos a sensação de que estamos caindo; o estágio de sono profundo, assim chamado o terceiro, é caracterizado por tornar o individuo insensível aos sons e já oferece resistência ao acordar. O quarto e ultimo estágio chamado de sono mais profundo, há uma “total entrega”, um relaxamento total, no que diz respeito ao individuo; é o mais profundo desligamento do mundo exterior, nesta fase pode haver irregularidades como o sonambulismo.

O sonho é também chamado de onírico, tal conteúdo é fundamental para a psicanálise, pois é através dele que é feito grande parte da interpretação do “conflito” que o paciente traz para a terapia. Através da descoberta de Freud, de que os sonhos têm conteúdos fundamentais para análise de um paciente, tiramos por concluir de que, é através do mesmo que podemos gozar pelos nossos verdadeiros prazeres, fugir de uma sociedade que censura e dita regras, tanto de caráter e conduta, é nele e através dele que podemos de fato vivenciar o que realmente gostaríamos de viver.

Chama-se de sonho manifesto, a experiência consciente durante o sono, que a pessoa pode ou não recordar depois do despertar. Os conteúdos de latente do sonho é aquilo que ameaçam acordar a pessoa. As operações mentais inconscientes que existem por meio das quais o conteúdo latente do sonho se transforma em sonho manifesto, e chamamos de elaboração do sonho. Sintetizando, porém, a teoria dos sonhos da seguinte maneira, a experiência subjetiva que aparece na consciência durante o sono e que, após o despertar, chamamos de sonho são apenas resultados finais de atividades mentais inconscientes que ocorrem durante esse período fisiológico que por sua natureza ou intensidade ameaça interferir no próprio sono.

O Sonho à Luz da Psicanálise

Diante de tantos acontecimentos vividos diariamente, tantos compromissos e atividades efetuadas de forma sistemática, acabamos nos defrontando com o cansaço e o stress da vida moderna. Quando conseguimos nos desligar deste mundo atribulado e cheio de informações, só pensamos em descansar a nossa mente e o nosso corpo e prepará-lo para uma bela noite de sono.

Quando dormimos entramos em um “processo mágico”, pois é durante o sono que alcançamos e sentimos o poder de mergulhar em um mundo totalmente novo e secreto: o nosso Inconsciente.

Durante o sono dispomos de forças inconscientes que nos levam a sonhar, todas as pessoas sonham e os sonhos como nos diz Freud, são a realização de um desejo. Desejos esses que existem dentro de cada um, mas que devido aos costumes, cultura, educação e a moral da sociedade, foram recalcados, reprimidos ficando assim, no mais fundo e obscuro de nosso inconsciente, só manifestando seu poder durante os sonhos.

Os sonhos á luz da psicanálise são como uma válvula de escape para nossos desejos mais secretos, desejos vistos como proibidos por nós mesmos através do que a sociedade nos impõe, sublimados e manifestados nos sonhos.

A interpretação dos sonhos do qual Freud se dedicou a estudar nos diz que os sonhos são, “a principal estrada que leva ao conhecimento dos aspectos inconscientes de nossa vida psíquica” (FREUD, 1900, apud ESTEVAM, 1995, p. 44). Freud concebe a idéia de que um insight (intuição) de algo proibido (desejo inconsciente) só ocorre uma vez na vida.

Os conteúdos inconscientes sempre estiveram presentes e se manifestam em nossa vida de diversas formas, entretanto, essas manifestações inconscientes só tiveram total atenção com os trabalhos de Freud sobre a interpretação dos sonhos, que até então era desprezada pelos cientistas da época.

Freud sempre focalizou aquilo que durante milênios foi o “ponto cego” de nossas percepções, sentimentos e pensamentos, aquilo que, de uma certa maneira, sempre esteve presente e ao que, no entanto, recusávamos conferir a dignidade de nossa atenção. (MONZANI, 1989, p.57)

Os sonhos possuem conteúdos manifestos e latentes e fazer a distinção destes conteúdos para Freud foi um canal de encontro para a estranheza das pessoas que deparavam com seus pensamentos. Pois, os conteúdos latentes dos sonhos, indicavam manifestações do inconsciente e eram necessários métodos exclusivos para se entender o real significado, feito isso, os sonhos acabavam se revelando como desejos inconscientes sempre com material recalcado e infantil indicando uma relação com algo de caráter sexual.

Entender os significados dos sonhos a priori foi de extrema importância para a teoria psicanalítica, pois através de suas interpretações, foi possível desvendar o material oculto de cada individuo e concomitantemente entender a sua construção psíquica. “Freud compreendia que tudo o que sabemos a respeito de nós mesmos representa apenas uma pequena parte daquilo que somos na realidade” (ESTEVAM, 1995, p. 46). Os sonhos aparecem como forma de externalizarmos conhecimentos que possuímos, mas que insistimos em dizer que desconhecemos.

Os sonhos configuram-se como métodos de descargas de pensamentos, que são sublimados para que dessa forma não afetem diretamente nosso imaginário, por isso muitos sonhos são vistos como absurdos e ilógicos à primeira vista, embora seja totalmente o contrário. O material dos sonhos possui conteúdo psicológico fundamental para o estudo da mente. Como nos diz Freud “O sonho possui um sentido”. (FREUD apud ESTEVAM, 1995, p. 47).

Para se analisar os sonhos são imprescindíveis que não se direcione a atenção somente aos conteúdos manifestos, mas principalmente nos conteúdos latentes dos sonhos, pois é ai que se encontra seu verdadeiro significado. “O conteúdo manifesto é, assim, uma espécie de tradução resumida do conteúdo latente; um trailer de um filme de longa-metragem” (FORRESTER, 2009, p.12).

Acontecimentos recentes (resíduos diurnos, elementos transferenciais) se ligam a lembranças do passado, inclusive a “fantasias ou lembranças encobridoras” temporárias – ou, quem sabe, mais permanentes. (FORRESTER, 2009, p. 79)

Portanto, dar atenção aos sonhos e aos seus significados é ao mesmo tempo dar atenção aos conteúdos mentais que foram recalcados e sublimados da consciência pela ação de nosso ego e superego, pois é nos sonhos que nossos desejos primitivos e instintivos (id) encontram vazão para conquistar seu lugar ao sol.

Ao falarmos de sonho, estamos nos referindo ao termo “sonho manifesto”, que é quando o indivíduo faz o relato do que vivenciou dentro do sonho, logo após ter acordado, ou seja, é o ato de lembrar-se. Quando nos referimos ao que o sonho traz, seu significado, dizemos que este ato é especificado como “conteúdo latente do sonho”.

O conteúdo latente do sonho é a primeira parte do processo de sonhar formado por três componentes: I- impressões sensoriais noturnas; II- pensamentos e idéias relacionadas às atividades do dia (fragmentos do nosso cotidiano, antes de pegamos no sono); III- impulsos do ID.

São as impressões sensoriais do indivíduo que se referem ao que os sentidos capturam mesmo durante o período de dormência ( os barulhos ao seu redor; seus desejos, como beber água, calor, frio,etc.) tudo o que podemos adquirir nesse estágio se refere ao conteúdo latente do sonho.

Em relação aos pesadelos, eles foram um dos maiores desafios que Freud encontrou, ele era a prova de fogo que desafiava a doutrina do pai da psicanálise. Pensando que o sonho era a realização de um desejo reprimido; não poderíamos sentir a tristeza, ou seja, o desespero e a angústia do pesadelo, se de certa forma o objetivo central do sonho era a realização do próprio desejo e por conseqüência a nossa realização.

É em nossos sonhos que procuramos realizar os nossos mais profundos e sinceros desejos que, se feitos à luz do dia seriam motivo de vergonha e horror para aqueles que junto conosco compõem uma sociedade impostas de valores e conceitos. Quando temos o ato de fecharmos nossos olhos, temos isso como um passaporte para outro país, o país das maravilhas, bom de certo modo a maravilha que gostaríamos que fosse nossa vida.

Entrando profundamente nesse vasto mundo de desejos reprimidos e não realizados; fazemos um mergulho direto para nosso inconsciente, ou seja, para dentro de nós mesmos, tentando procurar o máximo de realização.

Há dentro de nós certo grau elevado de aspirações sociais; tendências em que somos criados, e que cria em nós mesmos certo tipo de CENSURA.

O pesadelo se dá quando há uma satisfação consciente da personalidade que visa os princípios morais, em vez de haver uma satisfação dos desejos reprimidos instintivos. Buscamos em primeiro lugar a “tranqüilidade” em estabelecer uma satisfação com nossa consciência moral do que com nossos desejos, é assim que acontecem os pesadelos.

Os desejos que provocam os sonhos não são; freqüentemente; desejos aceitos pelo consciente; ao contrário, são desejos que ele combate, reprime e censura. Por conseguinte, o retorno desses desejos recalcados, embora seja uma causa de desprazer para a parte superior. Esquecemo-nos freqüentemente que o homem é um ser duplo, disputado por tendências de sentido contrário. A censura reage pela angústia quando ela não pode dominar o desejo animalesco que sobe das profundezas do inconsciente. (ESTEVAM, 1995, p. 61-62.)

Os fatos que em si visam os princípios morais nos angustiam e nos desesperam a certo ponto em que acordamos, e quando isso não ocorre, vivenciamos um sonho em que se torna “torturante” e mesmo embora sua principal função seja o de dar prazer, ficamos expostos ao desgosto de um sonho não prazeroso.

O pesadelo é freqüentemente a realização não velada de um desejo, mas de um desejo que, em vez de ser bem vindo, foi repelido e recalcado. A angústia que acompanha a realização desse desejo recalcado mostra-se mais forte do que a censura e de que ele esta realizando ou vai se realizar, contrariando a censura. O sentimento de angústia diante da força desses desejos que, até aquele momento, tínhamos conseguido reprimir. (ESTEVAM, 1995, p.63)

E por que não nos lembramos do sonho? Por que só tomamos ciência dos sonhos logo após acordamos; ao refazer o ato de relembrar do mesmo, temos a sensação de que sempre há algo a mais, isso significa que lembramos fragmentos deste sonho.

Acontece na maioria dos casos o ato de saber que se sonhou; mas sem saber o que foi sonhado. Podemos associar esse fato do esquecimento do sonho em relação a “excitação” tanto referente ao dia a dia quanto aos fragmentos em que nosso sonho nos proporciona, isto é; quando estamos acordado nos esquecemos de muitas sensações e percepções de imediato; seja talvez pela quantidade de excitação que damos as mesmas, a importância, a atenção dada a certos detalhes do cotidiano em que demos menos energia psíquica, tem menos influência em nossa mente e psique, isso se aplica as imagens oníricas, as partes esquecidas, são aquelas em que os nossos desejos se manifestam com menos intensidade, a energia psíquica que damos a tal desejo em que nosso inconsciente não lhe dá a atenção que dá a imagens que temos como mais interesse; mas o fato da intensidade aplicada as percepções, não é o suficiente por si só, para determinar se uma imagem onírica será lembrada ou não.

Logo após o despertar o mundo do lado de fora, faz como uma “pressão” sobre os sentidos e se apossam de imediato das atenções do individuo; fazendo com que muitas poucas imagens conseguem resistir. ”Os sonhos cedem ante as impressões de um novo dia, da mesma forma que o brilho das estrelas cede à luz do sol.” (Freud, 1900, p. 63)

Há um fato em que é fundamental para que se lembre dos sonhos, é necessário interesse pelos mesmos, o indivíduo em que se aplica mais na interpretação de seus sonhos, por conseqüência passará a sonhar mais, isto

significa que ele passou e passará a sonhar mais nitidamente e com muito mais freqüência lembrará seus sonhos. “Como o fato que, quando um sonho parece pela manhã, ter sido esquecido, ainda assim pode ser recordado no decorrer do dia, caso seu conteúdo, embora esquecido, seja evocado por alguma percepção casual” (FREUD, 1900, p. 63)

Os Mecanismos dos Sonhos como Forma de Realizar Desejos

Como já vimos, os sonhos possuem conteúdo manisfesto e latente e a forma com que o sonho se apresenta para que seu conteúdo latente se traduza em manifesto, Freud deu a isso o nome de trabalho do sono.

Existem quatro tipos de mecanismos sendo eles, a condensação, o deslocamento, a dramatização e a simbolização. Essas são as formas com que os conteúdos latentes se transformam em manifestos.

O mecanismo de condensação “tem a ver com um certo laconismo do sonho em relação aos pensamentos oníricos que subjazem a ele” (FORRESTER, 2009, p. 12). É como se fosse um resumo do sonho, daquilo que realmente sonhamos segundo Estevam (1995), seria igual quando queremos escrever uma carta, mas não temos tempo, então enviamos um telegrama.

Os sonhos normalmente são curtos, são meros resumos do que realmente acontece, do que nos leva a sonhar. Os processos psíquicos envolvidos e que ocasionam os sonhos são complexos, eles acontecem no inconsciente, mas só são manifestados nos sonhos de maneira lacônica.

O outro mecanismo é o deslocamento, que afasta de seu objeto real seu valor desviando para outro objeto sua carga afetiva. “a carga afetiva desvia sua direção e vai recair sobre um objeto secundário, aparentemente insignificante” (ESTEVAM, 1995, p.67) Por exemplo, quando se sonha com uma briga com uma pessoa aparentemente inocente ou desconhecida, é o deslocamento entrando em ação, que faz com que a raiva sentida por alguém do individuo que sonha seja transportada para um terceiro.

O mecanismo de dramatização consiste na imaginação de nossa mente, pois quando estamos acordados racionalizamos tudo que entra em contato conosco, (idéias, pensamentos, sentimentos), entretanto, quando estamos dormindo esse processo se desliga e entra em ação a capacidade de imaginar tudo àquilo que durante o dia racionalizamos, entra em ação o papel de formular imagens para aquilo que vivemos. Segundo Estevam (1995), é uma atividade mental inferior ao pensamento racional, cabe aos sonhos a tradução dos pensamentos e idéias em imagens, por isso a interpretação dos sonhos deve ser feita de maneira minuciosa e criteriosa para se desvendar o significado das imagens dos sonhos, pois elas trazem uma bagagem de conteúdos racionais importantíssimos.

A simbolização, outro mecanismo do sonho se dá quando as imagens presentes no sonho trazem relação com outras imagens, quando a pessoa sonha com algum objeto e este objeto é mascarado e diz respeito a algo que a pessoa viveu ou desejou. Um exemplo segundo Estevam (1995) diz de uma moça que sonhou com um homem que tentava montar em um cavalo castanho e só conseguiu depois da terceira vez. Esta moça na terapia revelou que seu namorado havia tentado abusar dela três vezes e em seu sonho ela apareceu simbolizada pelo cavalo.

Os sonhos utilizam esses mecanismos para trazer a consciência seus verdadeiros conteúdos inconscientes de maneira delicada, pois:

À noite o relaxamento muscular provocado pelo sono reduz a censura interna, a resistência aos desejos, nessas horas de recolhimento sobre si mesmo a resistência perde um pouco de seu poder. (FORRESTER, 2009, p. 13)

Com isso, vemos que “a força motivadora dos sonhos é a realização de desejos” (FORRESTER, 2009, p. 12). Os desejos reprimidos em nosso inconsciente acham lugar para se chegar à consciência através dos sonhos, pois neles não há resistência e nem a ação de nosso superego.

Freud nos diz a respeito dos desejos que eles são a falta de alguma coisa que desejamos, mas que não conseguimos realizar, ou por que algo nos impede ou devido ao nosso ego e superego, que exercem força considerável em nossa consciência reprimindo o desejado.

Os desejos que provocam os sonhos não são, freqüentemente, desejos aceitos pelo consciente, ao contrário são desejos que ele combate, reprime e censura. Por conseguinte, o retorno desses desejos recalcados, embora seja uma causa de prazer para a parte inferior do homem, é uma causa de desprazer para a parte superior. (FREUD, 1900 In. apud ESTEVAM, 1995, p. 62)

Ou seja, a angústia que sentimos quando acordamos é fruto da guerra entre o desejo e a censura, quando durante o sonho o fato reprimido vem à tona “sem censura”, nos sentimos angustiados ao acordar, ou se não acordamos, temos sonhos sofridos, dolorosos, os pesadelos.

Freud (1900) relata em sua interpretação dos sonhos que os desejos podem ter origens do tipo, o desejo despertado durante o dia, e que não pode ser satisfeito e também aquele que é abandonado pela psique, vindo a ser reprimido; também relata dos estímulos do qual o corpo sofre durante a noite, a fome, por exemplo; e finalmente o desejo de nosso inconsciente que se manifesta durante o sono, nos sonhos.

A Importância do Sonho na Terapia

Durante a terapia o paciente em seus relatos pode descrever algum sonho que lhe ocorra de maneira recorrente ou não, depois de se verificar durante o processo de análise deste paciente, a transferência, a resistência e demais mecanismos do mesmo, é possível assim, fazer a análise do material descritivo e significativo que este paciente traz ao analista. Através do método de associações livres em que o paciente fala tudo o que lhe vem à mente em relação ao fato, é possível ir montando o quebra-cabeça do sonho.

Para analisar os sonhos é necessário “decompô-lo em elementos e aplicar a cada um deles a técnica da associação livre” (FORRESTER, 2009, p.26), pois, não é possível interpretá-lo em sua totalidade, porque ele é formado pelo inconsciente e, portanto, de meros fragmentos da realidade, configurando-se muito confuso e fantástico. Durante o sono, tomamos as imagens oníricas por imagens reais graças ao nosso hábito mental (que não pode ser adormecido) de supor a existência de um modo externo com o qual estabelecemos um contraste com o nosso ego.

A análise do sonho possibilita acompanhar a evolução do caso, do tratamento, pois os sonhos são a expressão de nosso mundo interno aquilo que sentimos, vivemos ou desejamos, mas que não encontram a maneira certa de se externalizar, ficando a cargo dos sonhos esse papel.

Por agirmos muitas vezes baseados em nosso ego e superego, naquilo que é tido como certo aos olhos da sociedade, negligenciamos o papel fundamental de nosso id, pois seu conteúdo pode fugir ao controle e aos moldes das leis morais e também de nosso ideal de eu. Contudo, surgem assim os conflitos psíquicos inconscientes que nos atormentam e nos angustiam, causando sofrimentos ao individuo, e que encontram nos sonhos um meio de se libertarem.

Os indivíduos acometidos por esses sofrimentos psíquicos, não se sentem preparados para lidar com essas mudanças de pensamentos e ações, pois os sonhos interferem em sua vida e em seus comportamentos de maneira significativa, principalmente quando são mal elaborados e colocados à prova. Devido isso, o individuo procura ajuda e orientação profissional para melhor compreender o que se passa em seu interior, para entender quais são as suas necessidades psíquicas. “Não é possível dizer que um sonho é “somente” um sonho, na medida em que ele é um ato mental a parte integrante da vida interior de cada um” (SAROLDI apud FORRESTER, 2009, p. 16)

O recalcamento e sublimação de fatos, pensamentos, idéias ou imagens que foram jogados no inconsciente por ação do ego e do superego impedindo a ação do id, acarreta um dos motivos para o surgimento das neuroses, pois esse indivíduo tem forte poder de reprimir o que deseja anulando a voz de seu id, e esse fato o leva a gerar conflitos internos, como a neurose.

Logo, a análise dos sonhos na terapia é imprescindível, pois é através dessa análise juntamente com todas as técnicas de psicanálise, que o terapeuta pode focalizar no paciente quais são seus conflitos internos, suas angústias, medos e porque eles ocorrem com maior ou menor intensidade. Os sonhos são capazes de nos dar informação suficiente, para entender o indivíduo muito mais do que as palavras proferidas por ele na terapia, pois os sonhos possuem conteúdos que nós mesmos “desconhecemos”.

Considerações Finais

Os sonhos trazem do nosso inconsciente para a consciência desejos mais reprimidos e “proibidos”, desejos recalcados, no qual sublimamos, ou seja inibimos nossos objetos de desejo, é que através do sonhos temos a capacidade de vivenciá- los.

Sua linguagem simbólica; traz para o psicólogo um desafio na capacidade da interpretação; cada sonho vivido pelo paciente, pode ser visto como uma carta enigmática que com o auxilio de um psicólogo deverá ser traduzida. Há certa luta entre paciente e psicólogo, onde de um lado o paciente com seu sonho puxa de um lado, utilizando de mecanismos de defesa, e transformando o sonho em uma fantasia em si, e do outro o psicólogo com sua perspicácia e observação.

Freud traz e nos ensina através de sua obra que se tornou essencial na área de psicanálise a importância dos sonhos, quando escreve A Interpretação dos Sonhos, mostra que acabamos realizando nossos desejos que não conseguimos admitir querê-los, ou muitas vezes nos envergonhamos tanto por desejá-los que a sociedade nos “proibiu” ou determina “proibidos”, colocando nossos valores morais em primeiro lugar, reprimimos tais desejos e os jogamos no nosso mais profundo e obscuro abismo, o Inconsciente. Quando conseguimos sair de uma rotina, uma

sociedade que impõe sobre nós, suas aquisições, mergulhamos através do sonho nesse abismo em busca de realizá-los, uma busca em satisfação de nossas realizações, pois os sonhos são a única forma de realização de desejos reprimidos inconscientizados.

É fundamental para o psicólogo entender tal formação dos sonhos e como serão elaborados seus mecanismos de defesa, bem como os princípios de sua devida interpretação.

Sobre os Autores:

Elaine Aparecida da Silva- Graduanda do curso de Psicologia nas Faculdades Integradas de Ourinhos (FIO);

José Augusto Rodrigues Sanches - Graduando do curso de Psicologia nas Faculdades Integradas de Ourinhos (FIO);

Referências:

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