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Resumo: A importância da resistência para a evolução da técnica da teoria psicanalítica é demonstrada através de diversos trabalhos de Freud. Esse artigo pretende colocar alguns conceitos sobre resistência, voltando especial atenção nas suas relações entre os conceitos de transferência e recalque.
Palavras-Chave: Psicanálise, Resistência, Transferência, Recalque

Introdução

A resistência é um conceito fundamental para a psicanálise. Encontra-se presente em quase todos os textos freudianos, e atravessa todo o processo de análise. Está implicada numa série de fenômenos relacionados aos conflitos intrapsíquicos, mas também aos que dizem respeito à relação intersubjetiva.

A palavra “resistência” apresenta diversos significados. Contudo, na psicanálise, esta palavra toma um sentido singular e bem difundido, merecendo o status de um importante conceito central. Numa síntese das definições, podemos dizer que o conceito de resistência na psicanálise, segundo Roudinesco e Plon (1998, apud Mattos, s.d.) designa: "o conjunto das reações de um analisando cujas manifestações, no contexto do tratamento, criam obstáculos ao desenrolar da análise" e segundo Laplanche e Pontalis (1998, apud Mattos, s.d.): "tudo o que, nos atos e palavras do analisando, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente"

Alguns aspectos de uma resistência podem ser conscientes e outra parte fundamental é realizada pelo ego inconsciente. As resistências são repetições das produções defensivas realizadas pelo paciente em sua vida. As diversificações dos fenômenos psíquicos podem ser  objetivados na resistência, mas, qualquer que seja sua fonte, a resistência age através do ego do paciente.

De acordo com Paniago (2008) a Resistência é um mecanismo inconsciente ligado à parte do eu regida pelo princípio de realidade, que procura saídas contra a invasão dos elementos indesejáveis provenientes do próprio inconsciente e dos conteúdos recalcados. Quanto mais pressionado o eu se encontra, mais fortemente se apega a resistência.

A resistência representa uma atitude de oposição do paciente às descobertas do analista aos seus desejos inconscientes. Representa tudo aquilo que atrapalha o trabalho terapêutico e funciona como obstáculo a elucidação dos sintomas e a evolução do tratamento (OLIVEIRA, 2004).

Este trabalho tem por objetivo revisar os principais pontos nos estudos da psicanálise em que o tema resistência foi abordado: conceito, histórico, tipos, bem como uma breve análise dos seus pontos de articulação entre transferência e recalque. 

1. Histórico e Compreensão da Resistência

A primeira vez que o termo resistência aparece na teoria freudiana é no relato do caso clínico da Srta. Elizabeth Von R: “No curso desse difícil trabalho, comecei a atribuir maior importância à resistência oferecida pela paciente na reprodução de suas lembranças” (FREUD, 1893-1895, p. 178).

A resistência aparece na clínica como força contrária a qualquer tentativa de rompimento do isolamento estabelecido pelo recalque a um conjunto de representações. Ou seja, sempre que o trabalho de análise se aproxima de uma representação recalcada, a resistência se manifesta, tentando impedir esse trabalho, como obstáculo à rememoração. Nesse contexto, Freud reconhece que qualquer mudança no estado de seus pacientes exigiria um percurso muito mais laborioso do tratamento, haja vista o tempo e o esforço empregados no processo de superação do obstáculo imposto pela resistência ao trabalho de associação livre (VENTURA, 2009)

Freud já mencionava a resistência enquanto um obstáculo à hipnose do livro Hipnotismo, onde escreve que "essa influência apenas raramente se efetua sem resistência da parte da pessoa hipnotizada". Ainda nesse artigo, afirma que "sempre que surge uma intensa resistência contra o uso da hipnose, devemos renunciar ao método e esperar até que o paciente, sob a influência de outras informações, aceite a idéia de ser hipnotizado" (FREUD, 1891/1987, p. 125).

A partir da mudança da terapêutica desvinculada da hipnose, Freud pode verificar que as recordações esquecidas não haviam se perdido, mas mantinham-se detidas por uma força que, a princípio, denominou resistência. Neste momento, encontramos o "ponto de virada" do método catártico para o método psicanalítico. Essa "virada", se completa com a publicação de "A Interpretação do Sonho", quando notamos que aí sim, o conceito de recalcamento adquire um posicionamento mais preciso através da distinção entre inconsciente e consciente, ambos entendidos como sendo sistemas psíquicos (TOMASELLI, s.d.)

Laplanche e Pontalis (1988, p. 596) apontam como a razão de Freud ter renunciado à hipnose e à sugestão, o fato de que "a resistência maciça que lhes apunham certos pacientes lhe parecia ser por um lado legítima, e, por outro, não poder ser superada nem interpretada".
 
Assim como a hipnose, Freud também observou que a técnica da pressão podia falhar na tarefa de suscitar as lembranças esquecidas, apesar de toda a insistência empregada junto ao paciente. Quando isso acontecia, Freud percebia que havia encontrado uma oposição para penetrar em uma camada mais profunda da cadeia de representações (VENTURA, 2009)

Segundo Oliveira (2004), Freud pensava que a causa da resistência era a ameaça ao aparecimento de idéias e afetos desagradáveis. Essas idéias tinham sido reprimidas e resistiam à rememoração por serem de natureza dolorosa e capazes de despertar afetos de vergonha, autocensura, dor física. Na segunda fase da Psicanálise a Resistência passou a ser percebida também como contra a apercepção de impulsos inaceitáveis. Assim sendo, era entendida como distorções das lembranças inconscientes, disfarçadas na associação livre.

Em relação ao fenômeno clínico da resistência, Freud foi abandonando de vez a sugestão existente nas técnicas da hipnose e da pressão, passando a investir no fluxo de associações livres do paciente, sem constrangimento, sem crítica e guiada pelo acaso. E ao perceber e conceituar teoricamente o fenômeno clínico da resistência, Freud abandonou as técnicas utilizadas até então em sua terapêutica e começou a percorrer um caminho particular, rumo à criação da própria psicanálise (VENTURA, 2009).

2. Tipos de Resistências

De acordo com Conedera (2009), Freud complementa sua exposição sobre as resistências encontradas na análise, dividindo-as em cinco tipos, que provêm de três direções: do ego, do id e do superego:

2.1 Do ego – “O ego é a fonte de três, cada uma diferindo em sua natureza dinâmica”. São elas: a resistência da repressão, a resistência da transferência – que estabelece uma relação com a situação analítica, reanimando assim uma repressão que deve somente ser relembrada – e a resistência originada do “ganho proveniente da doença” baseada numa “assimilação do sintoma no ego” (COSTA, 2009).

2.1.1 Resistência da Repressão: Poderia ser considerada como a manifestação clínica da necessidade do indivíduo de se defender de impulsos, recordações e sentimentos que, se emergissem na consciência, causariam um estado de sofrimento, ou ameaçariam causar tal estado.

2.1.2 Resistência da Transferência: Essencialmente semelhante à resistência da repressão, possui a especial qualidade de, ao mesmo tempo que a exprime, também refletir a luta contra impulsos infantis que, sob forma direta ou modificada, emergiram em relação à pessoa do analista.

2.1.3 De ganho secundário: Esses ganhos secundários oriundos dos sintomas são bem conhecidos sob a forma de vantagens e gratificações obtidas da condição de estar doente e de ser cuidado ou ser objeto do compadecimento dos outros, ou sob a forma de gratificação de impulsos agressivos vingativos para com aqueles que são obrigados a compartilhar o sofrimento do paciente.

2.2 Do Id – Resistência que necessita de elaboração. Devido à resistência dos impulsos instintuais a qualquer modificação no seu modo e na sua forma de expressão. Segundo Freud (1926): “E...como os senhores podem imaginar, é provável que haverá dificuldades se um processo instintual, que por décadas inteiras trilhou novo caminho que recém se lhe abriu.”

2.3 Do Superego – resistência enraizada no sentimento de culpa do paciente ou na sua necessidade de punição. Freud considerava a “resistência do superego” como sendo a mais difícil de o analista discernir e abordar. Ela reflete a ação de um “sentimento inconsciente de culpa” (1923) e é responsável pela reação aparentemente paradoxal do paciente a todo passo que, no trabalho analítico, representa a materialização de um ou outro impulso de que vão se defendendo pressionados pela sua consciência moral.

Mesmo assim, Freud descreveu os tipos e fontes das resistências da seguinte maneira: “Não se deve supor que essas correções nos proporcionem um levantamento completo de todas as espécies de resistência encontradas na análise. A investigação ulterior do assunto revela que o analista tem de combater nada menos que cinco espécies de resistência, que emanam de três direções — o ego, o id e o superego” (FREUD, 1926). 

3. A Resistência e a Transferência

Freud define a transferência como reedições, reproduções das moções e fantasias que despertam com o decorrer da análise. Experiências psíquicas passadas são revividas como atuais, a partir do vínculo com o analista. Algumas transferências são substituições apenas. Freud também apresenta a transferência em seu caráter paradoxal, como uma resistência. Ela é utilizada para produzir empecilhos que tornam o material recalcado inacessível ao tratamento (MONTES, s.d.).

Segundo Corrêa (2003), a transferência é o ponto de impasse para que o analisando não fale à respeito de si, afinal, para não “ferir” o analista, aquele que representa o Ideal do eu, Sujeito Suposto Saber, o analisando evita mostrar suas vulnerabilidades e angústias, evita mostrar o avesso, e transferencialmente fala apenas o que para o mesmo satisfaz o analista. Inconscientemente existe o desejo de ser amado pelo analista, caracterizando-se como um pedido de amor incondicional, um pedido de ajuda.

Ainda em Corrêa (2003), vale lembrar que resistência e transferência são peças fundamentais no tratamento. Em virtude disso, afirma-se que o grande e árduo trabalho da análise é o manejo da transferência, sendo denominada de “motor da resistência”, pois por si só é uma resistência e as questões inconscientes favorecem seu aparecimento. Sem sua presença não há análise e para desvendar o conteúdo que mantém vivo o sintoma na figura do analisando, faz-se necessário que ele acredite nas suas ilusões, para somente depois se desfazer delas e ser sujeito que tenta saber de si, mesmo que isto instaure dor e sofrimento.

Se considerarmos a perspectiva freudiana de que a transferência, mesmo sendo essencial ao tratamento analítico, pode vir a tomar  forma de resistência, capaz de provocar a suspensão do processo analítico. Com isso, poderemos afirmar então que, em Freud, a transferência é por si mesma, um impasse. E impasse paradoxal, uma vez que, sem ela, uma análise seria inconcebível, mas, com ela, o tratamento sempre correria o risco de se interromper ou de tomar rumos não previstos, colocando em jogo tal processo. (LAIA, s.d.)

4. Resistência e Recalque

Falar de resistência nos remete, mais uma vez, aos primórdios da psicanálise. Foi através do obstáculo a explicação dos sintomas e ao desenvolvimento do tratamento que a resistência foi descoberta, permitindo a Freud elaborar e desenvolver o conceito de recalque, pedra fundamental de sua teoria (FONTE, s.d.).

“Há uma forte relação entre resistência e recalque. A resistência é a força que mantém a idéia incompatível fora da consciência, portanto, mantém a idéia recalcada” (PANIAGO, 2008)

De acordo com Veloso (2005), a descoberta de Freud sobre da resistência dos pacientes levou-o a enunciar o princípio fundamental do recalcamento, descrito como o processo de expulsão ou exclusão de qualquer idéia, lembrança e desejo inaceitáveis da consciência, operando apenas no Inconsciente. Freud referia-se à repressão como a única explicação possível para a resistência. As idéias ou os impulsos desagradáveis não apenas eram expulsos da consciência, como também forçados a permanecer fora. O terapeuta deve ajudar o paciente a trazer esse material reprimido para o consciente a fim de enfrentá-lo e aprender a lidar com ele.

Importante para o que tratamos neste momento, o conceito de recalque se apresentou à teoria psicanalítica por meio do fenômeno clínico da resistência, que aparece com o abandono da hipnose.

A teoria do recalque é a parte mais essencial da psicanálise e, todavia nada mais é senão a formulação teórica de um fenômeno que pode ser observado quantas vezes se desejar se empreende a análise de um neurótico sem recorrer à hipnose. Em tais casos encontra-se uma resistência que se opõe ao trabalho de análise e, a fim de frustrá-lo, alega falha de memória. O uso da hipnose ocultava essa resistência; por conseguinte, a história da psicanálise propriamente dita só começa com a nova técnica que dispensa a hipnose (VALLE, s.d.).

A resistência pode ser considerada, com relação ao recalque, a manifestação exterior desse mecanismo de defesa, cuja função é manter fora da consciência uma representação ameaçadora. Quanto mais o trabalho analítico se aproxima de uma representação recalcada, maior e mais intensa é a resistência contra esse trabalho. (VENTURA, 2009)

Freud vai chegar à conclusão que toda idéia ou pensamento recalcado era, na realidade, desejos, e que estes sim sofriam recalque. Eram desejos que de alguma maneira não podiam se realizar e por isso eram recalcados. O desejo, então, ficava retido no inconsciente e, desta forma, o sujeito não tinha conhecimento dele. Era um desejo não reconhecido como próprio, um desejo inconsciente (MACHADO, 2003).

Conclusão

A resistência não pode ser apreendida sem que se envolvam os demais conceitos, especialmente os de transferência e recalque, onde provavelmente vale para o restante da rede de conceitos em psicanálise. Verificou-se nesse trabalho que o conceito de resistência é obstáculo ao processo analítico e ao mesmo tempo possibilita o curso do tratamento. O trabalho analítico exige uma elaboração apesar das resistências que são impostas tanto ao analista como ao sujeito. A resistência tal qual a transferência são mecanismos de defesa e são imprescindíveis para a realização do tratamento psicanalítico. Sem elas, não há psicanálise. Uma aparece na tentativa de encobrir e se proteger de lembranças dolorosas, a outra como a repetição de uma relação passada, e as duas trazem consigo material riquíssimo para a clínica analítica.

Referências:

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